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Libor se recusa a morrer em batalha que envolverá US$ 370 tri

Alexandra Harris

07/05/2018 13h04

(Bloomberg) -- A batalha que definirá o futuro do mercado financeiro está se armando. A tão criticada Libor briga para manter o status de principal referência global para ativos denominados em dólar. Enquanto isso, aumentam as dúvidas sobre a credibilidade de sua suposta sucessora.

É um embate como poucos que o setor financeiro já assistiu. Em um canto do ringue, estão as combalidas taxas do mercado londrino que, mesmo após escândalos envolvendo manipulação, ainda são a base de mais de US$ 370 trilhões em instrumentos financeiros denominados em diversas moedas. No outro canto, a potencial sucessora, concebida ao longo dos últimos quatro anos pelo escritório regional do banco central americano (Federal Reserve) em Nova York, pelo comitê de diretores do Fed e por titãs de Wall Street como JPMorgan Chase, Goldman Sachs Group e BlackRock.

A substituição da taxa interbancária de Londres (London Interbank Offered Rate ou Libor) "seria o desdobramento mais profundo nos mercados financeiros" em anos, disse Ward McCarthy, economista-chefe de finanças da Jefferies LLC. Porém, "há mais de US$ 300 trilhões em ativos financeiros atrelados à Libor, e uma transição para outra coisa envolveria US$ 300 trilhões em potenciais buracos na estrada".

A ICE Benchmark Administration (IBA) se esforça para ressuscitar a Libor em um momento delicado. Sua principal desafiante, a taxa SOFR (Secured Overnight Funding Rate), sofre críticas após a inclusão equivocada de algumas transações atrapalhar sua estreia, no mês passado. Contratos futuros atrelados à taxa começarão a ser negociados em Chicago na segunda-feira e, qualquer dano adicional à sua credibilidade pode desestimular a adoção da nova taxa de referência antes mesmo que decole.

Por décadas, a Libor ofereceu uma maneira confiável de definir o custo de financiamentos estudantis, imobiliários e até de derivativos complexos. A taxa é calculada a partir de uma sondagem diária com mais de 15 grandes bancos, que estimam o custo para tomarem empréstimos entre si sem dar garantias. No entanto, as negociações envolvendo essas estimativas diminuíram e, após a descoberta de manipulação disseminada, os órgãos reguladores se viram obrigados a agir. No ano passado, autoridades do Reino Unido sinalizaram o fim da taxa de referência, avisando que não irão pressionar os bancos a apresentar cotações após 2021.

Porém, a controladora da IBA, Intercontinental Exchange, que passou a administrar a Libor no lugar da Associação de Banqueiros Britânicos, em 2014, não está disposta a deixá-la morrer sem lutar. Afinal, mais de US$ 150 trilhões em ativos financeiros são vinculados à versão da Libor denominada em dólar e a ICE ganha dinheiro licenciando a taxa. Nas próximas semanas, a empresa apresentará um plano para fortalecer a Libor, com novos procedimentos que guiarão como os bancos globais derivam e apresentam as cotações usadas para gerar a taxa de referência.

A transição para a chamada metodologia em cascata fará com que as instituições fundamentem as cotações em transações não garantidas elegíveis no atacado. Se não houver transações elegíveis, os bancos poderão usar cotações de transações realizadas no mercado secundário. Na ausência de dados viáveis e transações elegíveis, poderão ser usadas cotações de corretoras e outras observações do mercado.

"Estamos recebendo feedback significativo de bancos e seus clientes de que gostariam que uma Libor reformada continuasse após 2021, juntamente com taxas livres de risco alternativas", disse Claire Miller, porta-voz da ICE.

--Com a colaboração de John Glover e Liz Capo McCormick .

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