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Pioneiros do blockchain criam raízes em área hipster de NY

Rob Urban e David M. Levitt

07/05/2018 15h23

(Bloomberg) -- O prédio parece abandonado, mas por trás da porta coberta de grafite 200 funcionários digitam em laptops com o objetivo de revolucionar o mundo.

Os funcionários da ConsenSys, a startup de blockchain que o guru do ethereum, Joseph Lubin, ajudou a criar, tomaram conta do espaço na rua Bogart, número 49, no bairro de Bushwick, no Brooklyn, em Nova York. Do lado de dentro das paredes de tijolos do edifício, eles esperam desenvolver novas tecnologias para descentralizar e democratizar uma série de atividades, como as formas de registrar transações imobiliárias, de rastrear a propriedade de obras de arte e de pagar pelo trabalho das pessoas. Do lado de fora desses muros, eles têm ajudado a transformar a vizinhança de uma maneira que lembra distritos de Londres, São Francisco e Hong Kong.

À medida que a ConsenSys lança novas empresas e atrai parceiros comerciais, em Bushwick e na região adjacente de Williamsburg, que antes fazia parte do coração industrial de Nova York, o mundo da criptografia contribui para a gentrificação que está em curso. Armazéns vazios foram recuperados, condomínios foram instalados e as ruas estão repletas de cafeterias, restaurantes especializados em macarrão instantâneo e murais que retratam criaturas estranhas.

"Há uma energia aqui que não se pode encontrar em Manhattan, nem em nenhum outro lugar de Nova York", disse Tyler Clark, cofundador da desenvolvedora de blockchain Cryptonomic, criada por ele e por um ex-colega do JPMorgan Chase. "A ConsenSys é uma inspiração para nós."

Fermentação cultural

Apesar de Manhattan também ter empresas de blockchain, estas são mais intimamente associadas a empresas consolidadas como Microsoft e Intel do que o que o rebelde Brooklyn poderia tolerar. Pode ser uma hipérbole comparar Bushwick e Williamsburg em 2018 a Los Altos em 1976 ou Haight-Ashbury em 1966, mas como o blockchain trabalha para concretizar seu considerável potencial, as quadras da cidade pós-industrial onde isso está ocorrendo têm uma aura de fermentação cultural. A menos, é claro, que toda essa coisa de blockchain não dê muito resultado. Se for o caso, deixemos para lá.

Mas por enquanto, pode chamar a região de Criptolândia, apelido supostamente criado por Vishakh, um ex-vice-presidente de tecnologia do JPMorgan de um nome só, sócio de Clark na Cryptonomic.

O Brooklyn fincará a bandeira da criptografia durante a Blockchain Week, em Nova York. A Ethereal Summit, em 11 e 12 de maio, contará com palestrantes para tudo, desde a ligação entre blockchain e arte até o uso de criptomoedas para doações à caridade, passando pelo papel das novas tecnologias nas economias emergentes.

A Fluidity Summit, em 10 de maio, contará com Lubin e também com personalidades de Wall Street, como Nouriel Roubini e Michael Novogratz. O evento será realizado no antigo edifício do Williamsburgh Savings Bank, criado pelo mesmo arquiteto que projetou a Bolsa de Valores de Nova York.

Segundo a Economic Development, da cidade de Nova York, em 2015 93 vagas de emprego foram anunciadas para empresas de blockchain no Brooklyn. No ano passado, foram 745 vagas, mais de oito vezes mais. E o crescimento está apenas começando, disse James Patchett, presidente do grupo.

"Acreditamos fortemente que esse setor explodirá", disse Patchett, em entrevista. "Temos visto um aumento no número de startups que querem estar fora de Manhattan."

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