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Gestora adota abordagem antiga na revolução das baterias

Luzi-Ann Javier

(Bloomberg) -- Esqueça o lítio e o cobalto. A melhor maneira de aproveitar a crescente popularidade dos veículos elétricos continua sendo o bom e velho cobre. Esta é a visão da Investec Asset Management, que administra US$ 197 bilhões.

No caso do lítio, não existem contratos futuros nem à vista listados nas principais bolsas de valores, e a maioria dos produtores também faz outros materiais, como fertilizantes, o que dilui os ganhos da ascensão meteórica dessa commodity. No caso do cobalto, embora seja negociado na London Metal Exchange, o volume é inferior a 1 por cento do comércio do cobre, o que limita a capacidade dos investidores de entrar e sair do mercado.

"Preferimos coisas como o cobre, em vez desses metais de nicho, por causa da liquidez", disse Hanré Rossouw, gerente de portfólio da Investec na Cidade do Cabo, por telefone. "Com o lítio, você corre o risco de cair em um modismo. O setor é tão pequeno que a adição de alguma mina nova poderia gerar um excesso de oferta. Com o cobalto, muito poucas empresas lhe dão exposição."

A demanda por cobre vai superar a produção em 2019 em 330.000 toneladas, afirmou o International Copper Study Group em abril. A perspectiva de oferta de longo prazo para o cobre e o ouro é menor, porque as empresas estão concentradas em reduzir dívidas e devolver dinheiro aos acionistas, em vez de investir em novas minas, disse Rossouw.

A redução do investimento significa que a oferta das minas de cobre programadas para entrar em operação nos próximos anos será a menor deste século, tanto em número quanto em capacidade de produção, segundo a BMO Capital Markets. A falta de um novo crescimento da oferta de 2019 a 2022 provavelmente empurrará o mercado para um déficit, segundo Colin Hamilton, diretor administrativo de pesquisa sobre commodities do banco.

A demanda por cobre em baterias para veículos elétricos aumentará para 295.000 toneladas até 2030, contra apenas 7.907 toneladas em 2016, segundo um relatório publicado pela Bloomberg New Energy Finance no ano passado. Além disso, o consumo do metal também aumentará com a construção dos postos de recarga que vão abastecer os veículos, disse Rossouw.

O cobalto para entrega em três meses subiu 18 por cento neste ano, para US$ 88.750 a tonelada, e apenas 187 contratos mudaram de mãos. Isso se compara aos 4,25 milhões de contratos no cobre, cujos preços recuaram 5,8 por cento neste ano, para US$ 6.826 a tonelada.

"Se os preços ficarem altos demais, isso levará a um ciclo autodestrutivo em que preços muito altos incentivarão oferta nova", disse Rossouw. "É preciso reconhecer esse risco, especialmente no caso dos minerais menores e de nicho. É por isso que preferimos o cobre."

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