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Rival do bitcoin passa por reforma e amplia poder de computação

Olga Kharif

(Bloomberg) -- Está havendo uma briga pela alma do ether.

Com um valor de mercado de US$ 73 bilhões, a maior criptomoeda depois do bitcoin tem sido apontada como o futuro das finanças digitais por sua capacidade de usar aplicativos de software como camadas sobre transações. Mas, com o crescimento do ether em termos de preço e importância, nomes poderosos do mundo das moedas virtuais, como a fabricante de equipamentos Bitmain, buscam mais controle e lucros maiores.

O que está em jogo é o domínio do processo conhecido como mineração, em que muitos computadores resolvem enigmas matemáticos complexos para ganhar moedas recém-cunhadas em troca do processamento das transações que possibilitam o funcionamento da rede.

Os desenvolvedores do ethereum sempre quiseram que o projeto fosse "um computador mundial" em que os milhões de PCs e máquinas baseadas em placas de vídeo das pessoas rodam o livro-razão digital. Essa ampla rede de participantes "dá ao ethereum níveis extremos de tolerância a falhas, garante tempo zero de inatividade e torna os dados armazenados no blockchain para sempre inalteráveis e resistentes à censura", segundo documentos do ethereum.

O leque de participantes pode estar prestes a encolher, já que a Bitmain e outras empresas estão entrando em cena com um novo tipo de hardware de computação que poderia conferir a elas um poder desproporcional no tocante à confirmação de transações. O novo hardware, que deve ser disponibilizado até julho, pode tirar mineradores menores do jogo e é "um pesadelo para a descentralização", disse Lucas Nuzzi, analista sênior da Digital Asset Research.

Os desenvolvedores do ethereum estão correndo para impedir a invasão. Durante uma conferência, no mês passado, o cofundador do ethereum Vitalik Buterin disse que o risco desaparecerá quando a comunidade empregar o Casper -- software que se livrará completamente dos mineradores e confirmará transações de um jeito diferente, o que aumentaria o número de pessoas envolvidas no processo. Mas a data da implementação do Casper é incerta, considerando que o projeto já vem sendo adiado há meses.

Os membros da comunidade debatem também a possibilidade de limitar a oferta de ether ou de alterar os algoritmos para combater os mineradores que usam o chamado hardware baseado em ASIC.

Os ASICs (computadores baseados em circuitos integrados de aplicação específica) são mais eficientes que PCs, telefones ou placas de vídeo tradicionais para rodar os algoritmos específicos usados na confirmação de transações - por isso conseguem ganhar tokens de forma mais barata e rápida. Eles são usados há tempos para minerar bitcoin. Posteriormente, se espalharam para o litecoin e o dash. A Bitmain anunciou o primeiro computador ASIC da história capaz de minerar zcash em maio e um minerador ASIC para o ether no mês passado.

"Isso pode gerar um impacto negativo na comunidade do ethereum e, portanto, no preço do ethereum", disse Sam Doctor, diretor administrativo da Fundstrat Global Advisors, que detém algum ether. A moeda "pode ter desempenho inferior nesse espaço", mas isso deve durar pouco, disse.

O maior poder de mineração poderia permitir que a Bitmain -- ou outros grandes mineradores que comprem seus equipamentos -- obtenham o controle sobre a rede, algo conhecido como ataque de 51 por cento, no qual poderiam falsificar transações e tirar moedas de outros usuários.

"Se os mineradores da Bitmain se tornarem grandes a ponto de apresentarem risco de ataque de 51 por cento, os preços podem ser afetados", disse Christopher Rolland, da Susquehanna Investment Group.

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