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Soldados venezuelanos estariam desertando antes de eleição

Fabiola Zerpa e Noris Soto

(Bloomberg) -- Oficiais do Exército estão se juntando ao êxodo de venezuelanos para Colômbia e Brasil, fugindo dos quartéis e forçando o governo do presidente Nicolás Maduro a convocar militares aposentados e milícias para substituí-los.

Os altos índices de deserção nas bases de Caracas e do interior do país estão complicando os planos de segurança para a eleição presidencial programada para daqui a 13 dias, que por lei exige custódia militar de materiais eleitorais e maquinários nos centros de votação.

"O número é desconhecido porque costumava ser publicado no Diário Oficial. Agora já não se publica", disse Rocío San Miguel, diretora do Control Ciudadano, um grupo de Caracas que monitora as forças armadas. Ela disse que os soldados estão fugindo pelo mesmo motivo que os cidadãos: "Os soldos são baixos e a qualidade dos alimentos e das roupas não é boa."

Na semana passada, até generais foram convocados e aquartelados por vários dias. Oficiais aposentados e membros de milícias também foram contatados por seus superiores, segundo um reservista que pediu para não ser identificado por medo de retaliação. As autoridades estão treinando esse pessoal substituto para a eleição, disse outro aposentado.

A escassez de oficiais coincide com a fuga de centenas de milhares de venezuelanos do colapso social, lotando cidades e acampamentos improvisados na maior emigração em massa da história moderna da América Latina. A hiperinflação deixou a moeda praticamente sem valor e a desnutrição é endêmica. Quase 2 milhões de venezuelanos estão vivendo fora do país.

Acúmulo de poder

Enquanto esse país antes próspero entrava em colapso, Maduro se consolidava no poder criando uma assembleia onipotente para contornar a legislatura nacional. O regime prendeu e baniu opositores e iniciou uma onda de prisões antes da eleição, em 20 de maio. Os EUA e organizações regionais se recusam a reconhecer a votação como legítima, e a principal coalizão de oposição prometeu boicote, alegando que a disputa será fraudada.

As eleições venezuelanas são supervisionadas por militares, a força mais poderosa do país, cada vez mais entrelaçada com o regime de Maduro. A pressa é exigida pelo chamado Plano República, o destacamento de segurança do Ministério da Defesa que começa na véspera da eleição e vai até o dia seguinte. Por lei, as forças armadas são fiadoras da paz e da segurança, guardando cédulas e máquinas de votação em todos os mais de 14.000 locais de votação. Elas transportam esses materiais e máquinas para cada centro de votação, geralmente escolas, e os guardam.

Mas a deserção da Fuerza Armada Nacional Bolivariana cresceu exponencialmente no último ano, especialmente entre as patentes mais baixas. Pelo menos 10.000 soldados pediram para se aposentar, disse San Miguel, do Control Ciudadano, em março.

"Desde 2015 houve um aumento do número de militares presos acusados de traição, deserção e outros crimes", disse. "Nossa estimativa é de 300 detidos, a maioria oficiais. Alguns são oficiais de alta patente, outros são civis ligados aos militares."

Um porta-voz das forças armadas não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as deserções.

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