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Compradores de petróleo têm meios para contornar sanções ao Irã

Pratish Narayanan

(Bloomberg) -- Para os principais importadores de petróleo do mundo, a imposição de sanções ao Irã pelos EUA será um déjà vu.

Há alguns anos ? antes de o mercado ser assolado pelo excedente de produto, antes do maior crash nos preços em décadas e antes de os EUA começarem a exportar petróleo para o mundo inteiro --, refinarias na Ásia já precisavam lidar com regulamentos financeiros internacionais que visavam conter o programa nuclear da República Islâmica.

Ao buscar isenções e soluções criativas para pagamento e transporte, as refinarias conseguiram continuar comprando volumes limitados. Agora, com o presidente americano, Donald Trump, renovando sanções contra o terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), as compras novamente ficarão restritas.

Estas foram algumas das maneiras usadas no passado para lidar com as limitações:

Isenções

O problema central dos maiores clientes do Irã era a lei que barrava acesso ao sistema bancário dos EUA para instituições financeiras estrangeiras que compensavam operações com o banco central iraniano. Ou seja, mesmo sem restrições diretas à compra do petróleo do país do Golfo Pérsico, as refinarias tinham dificuldade para pagar.

Ainda assim, os países recebiam isenções do governo americano - revisadas a cada 180 dias - caso reduzissem "significativamente" as importações de lá. China, Índia e Coreia do Sul receberam essas isenções.

Enfrentamento

Na vez passada, países como China e Índia desaprovaram publicamente medidas do governo americano obrigando-os a limitar importações de petróleo iraniano, embora as sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) não determinassem isso.

China, Índia e Turquia, por exemplo, podem se opor à decisão dos EUA e manter as compras do combustível iraniano nos níveis atuais. Porém, Japão e Coreia do Sul podem obedecer às sanções do aliado por temerem a perda da proteção contra a Coreia do Norte, de acordo com o MUFG Bank.

Incentivos

Os preços do petróleo estão se recuperando para níveis de 2014. O excedente global está encolhendo e a demanda está em alta. Sendo assim, as refinarias asiáticas podem receber de bom grado qualquer atrativo que o Irã ofereça para atrair clientela.

Na outra vez que esteve sob sanções, a República Islâmica dava 90 dias de crédito na compra de petróleo - pelo menos o triplo da carência concedida por outros produtores ? e flexibilidade em termos de qualidade do produto e datas de embarque.

Moedas e bancos

Para não precisar passar pelo sistema financeiro americano, compradores asiáticos também podem utilizar moedas que não o dólar para pagar o Irã, além de rotear pagamentos por bancos locais ou estrangeiros sem grandes vínculos com os EUA.

Mudança de fornecedor

Na época das últimas sanções, consumidores asiáticos optaram por comprar da Nigéria, Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Angola, de acordo com a agência de informações de energia do governo americano (EIA). A China aumentou o volume comprado de Angola e Iraque, enquanto outros países asiáticos importaram mais combustível da Nigéria.

Todas essas opções ainda estão disponíveis. E há mais uma: o petróleo dos EUA. Dois anos após o fim da proibição à exportação de petróleo americano, variedades como West Texas Intermediate, Thunderhorse e Mars Blend chegam à Ásia, que se tornou a maior compradora de combustível produzido nos EUA.

--Com a colaboração de Heesu Lee.

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