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O CEO que ajudou a levar o comércio on-line da Índia ao Walmart

Saritha Rai

09/05/2018 14h06

(Bloomberg) -- Quando Kalyan Krishnamurthy se tornou CEO da Flipkart, em janeiro de 2017, a perspectiva para a varejista on-line indiana era claramente sombria. A avaliação da startup estava caindo, estava mais difícil captar recursos e a Amazon.com estava investindo mais de US$ 5 bilhões para atrair seus clientes.

Por isso, o ex-gerente de hedge funds, de 46 anos, assumiu alguns riscos. Ele demitiu gerentes seniores, estabeleceu metas de vendas mais agressivas, aumentou o gasto em promoções e prometeu dominar a temporada de compras dos festivais da Índia.

A estratégia deu certo e agora a recompensa por esses riscos está chegando - um investimento inicial de US$ 16 bilhões do Walmart na Flipkart Group que ajuda a consolidar a liderança da empresa indiana diante da Amazon e da Alibaba Group Holding na economia de grande porte com o crescimento mais acelerado do mundo. O Morgan Stanley projeta que o comércio on-line na Índia chegará a US$ 200 bilhões em dez anos, em comparação com US$ 30 bilhões hoje.

"Seu foco incansável e sua execução agressiva mudaram o rumo da Flipkart", disse Anil Kumar, CEO da RedSeer Consulting em Bangalore. "Ele trouxe a avidez que faltava na Flipkart."

O acordo anunciado nesta quarta-feira é o maior já fechado por um comprador estrangeiro na Índia e representa uma parte significativa das iniciativas do Walmart para se expandir no exterior. Desde que entrou no México em 1991, a maior varejista do mundo fechou operações deficitárias na Alemanha e na Coreia do Sul.

Krishnamurthy continuará sendo CEO da Flipkart, afirmou o Walmart. A empresa, fundada em 2007 por Binny Bansal e Sachin Bansal, é a mais valiosa dos 10 unicórnios na Índia, segundo a CB Insights, e contou com Tiger Global Management, SoftBank Vision Fund, Tencent Holdings, eBay e Microsoft entre seus financiadores.

Krishnamurthy não quis fazer comentários para esta reportagem.

"Para a Flipkart, este acordo não se resume ao dinheiro", disse Satish Meena, analista sênior de projeções da Forrester Research em Nova Déli. "Este acordo com o Walmart pode proporcionar à Flipkart a experiência de dirigir lojas fora da internet, acesso a vendedores e fabricantes, uma cadeia de abastecimento e o conhecimento necessário para penetrar no segmento de supermercado."

Mudanças

Quando assumiu o cargo de CEO, Krishnamurthy começou a trabalhar para transformar "um confronto entre a endinheirada Amazon e a startup Flipkart" na história de uma operadora local que sabe o que 1,3 bilhão de indianos querem.

Ele estabeleceu metas de tráfego on-line e vendas, modernizou operações e demitiu quem não tinha um bom desempenho. Krishnamurthy também implementou a "regra 80-20": concentrar-se nos 20 por cento das categorias que geravam 80 por cento da receita da Flipkart. Entre essas categorias estão grandes eletrodomésticos, moda e celulares.

A empresa lançou um serviço 24 horas de atendimento ao cliente, ofereceu demonstrações de eletrodomésticos aos consumidores e enviou técnicos em domicílio para instalar TVs na parede. O próprio Krishnamurthy atendeu a ligações no atendimento ao cliente.

"Isso me permitiu entender como e por que a Índia compra pela internet", disse ele à Bloomberg News, em uma entrevista concedida em 2017 na sede da companhia, na região suburbana de Bangalore. "Foi uma excelente maneira de investir meu tempo."

--Com a colaboração de Shelly Banjo e Edwin Chan.

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