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Poderosos se escondem atrás de 'caixa preta' da desigualdade

Jeff Green

09/05/2018 14h12

(Bloomberg) -- Chegou a hora de abrir a caixa preta.

Em diversos setores, as barreiras à diversidade começam com um problema comum, de acordo com muitos dos executivos e ativistas que discursaram na cúpula inaugural da Bloomberg Business of Equality, na terça-feira, em Nova York. Muitas empresas, ainda dominadas por homens brancos, continuam relutantes em revelar o escopo do problema, e mais ainda em corrigi-lo.

"Essa conversa está trancada em uma caixa preta há décadas", disse Natasha Lamb, sócia-gerente da Arjuna Capital, que tem pressionado empresas como Apple e Wells Fargo a divulgarem informações sobre disparidades salariais nos últimos dois anos. "Há uma razão para isso. Onde há dinheiro, há poder, e todas essas conversas se resumem ao poder e à mudança no equilíbrio de poder."

Não é possível corrigir o que não se pode ver, disse Elizabeth Nyamayaro, diretora da iniciativa HeForShe da Organização das Nações Unidas, que reuniu promessas de 30 líderes masculinos da política, dos negócios e da academia para promover mudanças para as mulheres. Todos concordaram em ser transparentes em relação aos seus avanços, afirmou.

"Estamos vivendo um dos momentos mais emocionantes de nossas vidas", disse Nyamayaro aos participantes. "Estamos em um ponto de inflexão, mas na verdade temos que criar o ponto. Precisamos assumir compromissos bem concretos e implementá-los em grande escala."

A maior parte das informações atuais se concentra na disparidade salarial de gênero e na representação das mulheres em conselhos de administração ou em cargos de liderança. Os dois fatores estão relacionados: o Fórum Econômico Mundial estima que a paridade salarial global está a um século de distância, em parte porque as mulheres não têm um caminho claro rumo aos empregos com maiores remunerações.

Em todo o mundo, as equipes executivas passaram a ser 24 por cento femininas, contra 25 por cento no ano anterior mais recente, segundo Grant Thornton. E entre as novas nomeações de CEOs em todo o mundo, menos de 4 por cento foram de mulheres em 2016, segundo a firma de serviços profissionais PwC.

Mas no nível corporativo individual, a maioria oferece pouca ou nenhuma informação a respeito dos salários, a menos que seja exigido por lei, como no Reino Unido. Em torno de apenas 45 por cento das empresas divulgam o gênero dos diretores e cerca de 40 por cento revelam a raça ou a etnia, segundo análise detalhada dos comunicados regulatórios de 500 das maiores empresas de capital aberto dos EUA feita pela Equilar.

Sem transparência em relação aos salários é difícil identificar o sexismo ou até mesmo a simples desigualdade. A atriz Ashley Judd disse que Michelle Williams ficou "desconcertada" ao descobrir que havia recebido uma pequena fração do salário de Mark Wahlberg para refilmar "Todo o Dinheiro do Mundo" -- apesar de os salários de ambos terem sido negociados pela mesma agência.

"Isso é muito comum, especialmente entre as mulheres no ambiente de trabalho -- a perda de um turno de trabalho, a falta de oportunidades para serviços extraordinários, o esquecimento na hora de uma atribuição interessante", disse Judd. "Essas coisas prejudicam as famílias americanas."

--Com a colaboração de Christopher Palmeri, Anousha Sakoui, Jordyn Holman, Rebecca Greenfield, William Mathis, Simone Foxman e Lindsey Rupp.

(Bloomberg) -- Chegou a hora de abrir a caixa preta.

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