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O que Walmart fará após comprar na Índia e vender no Reino Unido

Matthew Boyle

(Bloomberg) -- O Sol nunca se põe no império do Walmart graças à sua rede de lojas espalhadas por cinco continentes. Mas em um período de 10 dias o CEO Doug McMillon começou a redesenhar radicalmente o mapa da empresa de varejo, e provavelmente venha mais pela frente, considerando que a empresa faz apostas para se manter no topo.

"De repente vale tudo", disse Dave Marcotte, analista da Kantar Retail.

Em menos de duas semanas o Walmart fechou acordo para entregar o controle dos negócios britânicos a uma concorrente e para investir US$ 16 bilhões na aquisição da líder de comércio eletrônico da Índia, seu maior negócio na história, colocando freios na Amazon.com. As manobras mostram que McMillon está se concentrando em mercados de alto potencial, como China e Índia, buscando parceiros para ajudar a empresa na disputa on-line e cortando negócios de desempenho medíocre. Mas ele tem mais trabalho pela frente e mercados de baixo rendimento, como Brasil e Japão, podem ser os próximos da lista.

As unidades internacionais mais distantes do Walmart não recebem muita atenção, mas são importantes como fonte de caixa, talentos de gestão e ideias que acabam chegando às operações principais nos EUA. O crescimento das vendas fora dos EUA já foi de mais de 10 por cento ao ano, ajustado pelas oscilações cambiais, mas atualmente representa menos da metade disso porque as economias fracas, os fechamentos de lojas e a competição acirrada cobraram seu preço.

Essas pressões -- aliadas ao contínuo desempenho deficitário da divisão de comércio eletrônico dos EUA e à despesa maior com mão de obra devido ao aumento salarial deste ano no país -- forçaram McMillon a tomar decisões difíceis. Algumas delas, como vender as lojas britânicas da Asda, foram bem recebidas por Wall Street, mas o acordo de quarta-feira teve uma acolhida mais hostil dos investidores, que mostraram preocupação com os grandes prejuízos da Flipkart e questionaram se não seria melhor o Walmart investir seu dinheiro em outra coisa. A S&P Global Ratings anunciou que o gasto pesado para competir com a Amazon pode ameaçar a nota de crédito impecável do Walmart.

O alcance internacional do Walmart se estende por 6.360 lojas em cerca de duas dúzias de países, da Argentina à Zâmbia. Muitas foram adquiridas durante uma onda de compras de 1999 a 2009, mas a época de plantação agressiva de bandeiras está terminada há tempos. Hoje, os negócios internacionais respondem por menos de um quarto da receita total do Walmart, contra cerca de 30 por cento cinco anos atrás.

No Brasil, país que acaba de deixar para trás dois anos de recessão e distúrbios políticos, o Walmart já fechou lojas, reformulou a administração e desativou a plataforma de comércio eletrônico. Agora, a empresa estaria estudando a venda de uma participação majoritária na unidade, que inclui mais de uma dezena de tipos de lojas diferentes que poderiam ser facilmente desmembradas pelo novo proprietário.

"Se eu preferiria que tirassem capital do Brasil e o colocassem na batalha contra a Amazon? Claro", disse Mark Stoeckle, gerente de portfólio do Adams Diversified Equity Fund, que possui ações do Walmart.

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