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Incertezas tomam conta da unidade americana do Deutsche Bank

Sonali Basak e Steven Arons

(Bloomberg) -- Os rumores que circulavam no Beverly Hills Hilton tomaram um rumo inesperado tendo o Deutsche Bank como alvo principal.

Em salas de conferência com grandes lustres e corredores com piso de mármore, celebridades de Wall Street conversavam com certa satisfação sobre a recente rendição do banco alemão: após duas décadas tentando construir um dos maiores bancos de investimento do mundo, a instituição está se contentando com algo menor -- e poderia eliminar milhares de empregos, especialmente nos EUA.

As principais perguntas de muitos dos rivais que participaram da Conferência Global do Milken Institute: o Deutsche Bank conseguirá proteger os negócios dos EUA que deseja manter? E se não conseguir, quais profissionais merecem ser caçados?

Dentro da sede americana do banco, em Manhattan, essa perspectiva recai agora sobre os executivos do Deutsche Bank, que admitem que o surto de más notícias e a possibilidade de outras ainda surjam estão afetando o moral. Vários deles, falando sob a condição de anonimato, disseram temer que os funcionários comecem a trocar o banco pela concorrência -- ou, pior, que os grandes clientes façam isso.

Nas semanas transcorridas desde que o Deutsche Bank delineou seu quarto plano de recuperação global em três anos, crescem as incertezas nas operações dos EUA enquanto os executivos tomam decisões sobre demissões. O anúncio da empresa, em 26 de abril, de que provavelmente diminuirá o setor de trading de ações globais, e que reduzirá os negócios de vendas e negociações de taxas nos EUA, deveria ter dado alguma clareza à equipe. Mas nos dias que passaram desde então muitos perceberam que essas são apenas as maiores das muitas mudanças em andamento.

Baixo desempenho

Os funcionários que permanecerem deveriam se sentir estimulados pela reformulação, que em muitas áreas se concentrará em pessoas com desempenho abaixo do esperado, disse Mark Fedorcik, codiretor de operações de banco de investimento nas Américas, em entrevista, na quinta-feira. "É preciso tomar decisões para reduzir onde não somos eficientes."

O CEO Christian Sewing, que assumiu o comando em abril, viajou a Nova York no começo do mês para elevar o moral e dissipar os rumores que circulam no banco a respeito de uma enorme saída das Américas. Durante três dias, ele discursou para funcionários, consultou chefes comerciais, cumprimentou investidores e recebeu um seleto grupo de clientes para jantar em um restaurante em Midtown.

"Os rumores ou a impressão de que estamos saindo dos EUA ou de que estamos transformando Nova York em um centro de operações pequeno estão completamente equivocados", disse ele aos funcionários, em reunião geral. Vários executivos afirmaram depois que, por enquanto, Sewing está conseguindo o efeito desejado.

Os concorrentes estão enganados se acham que o Deutsche Bank não poderá se defender das tentativas de aliciamento de funcionários talentosos, disse Fedorcik.

"Vamos defendê-los tornando quase impossível que saiam", disse ele.

--Com a colaboração de Gillian Tan , Michael Bellusci e Matthew Monks .

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