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Paciência é o segredo de Theresa May para sobreviver ao Brexit

Robert Hutton

(Bloomberg) -- As coisas não podem continuar assim, observou um ministro do governo de Theresa May nesta semana. Podem sim, respondeu outro.

Nos últimos 12 meses, os políticos britânicos observaram admirados a capacidade da primeira-ministra de sobreviver a crises que pareciam a ponto de derrubá-la. Agora ela está dando a eles mais uma razão para essa admiração: sua capacidade de protelar.

Falta menos de um ano para que o Reino Unido saia da União Europeia e o governo ainda não chegou a um acordo sobre o que pedir nas negociações de saída. A renúncia de uma aliada importante deixou May em desvantagem em seu próprio gabinete na semana passada, quando propôs aceitar um acordo aduaneiro com o bloco europeu. Dias depois, o ministro das Relações Exteriores Boris Johnson descreveu a proposta dela como uma "loucura".

Mas May, juntamente com membros do gabinete favoráveis à UE, continua brigando por seu plano.

Esse confronto levou o primeiro dos ministros -- ambos pediram anonimato devido à sensibilidade do assunto -- a insinuar que o governo deve estar perto de um ponto de ruptura porque, se May continuar assim, com certeza alguém renunciaria em protesto.

Seu colega foi mais otimista. May sobreviveu muito tempo evitando confrontos e continuará encontrando um meio-termo que permita que ambos os lados declarem vitória.

Pelo menos parte da estratégia de May parece ser a procrastinação: uma reunião do gabinete interno foi cancelada na quinta-feira e outra, agendada na terça-feira, ainda não está confirmada. Enquanto isso, os legisladores se perguntam quando terão a chance de votar nos principais pontos da legislação do Brexit. Dois estão em pausa desde fevereiro e agora May paralisou as negociações da principal lei sobre a saída da UE.

Dilema

Os debates na Câmara dos Comuns sobre as leis de May para o Brexit, quando eles ocorrerem, provavelmente vão expor ainda mais esse dilema -- ela está presa entre uma maioria favorável a uma união aduaneira e os mais de 60 legisladores do seu Partido Conservador que ameaçam atrapalhar seu governo se ela aceitar essa proposta.

Embora nove leis do Brexit estejam na agenda do governo, Anand Menon, professor de política europeia no King's College de Londres disse que apenas duas seriam essenciais: o projeto de lei de saída e uma lei subsequente para implementar o que for acordado com a UE. Isso dá a May espaço para manobrar.

Até mesmo o prazo de negociação com a UE poderia ser mais flexível do que parece. O negociador do bloco, Michel Barnier, disse que, desde que o acordo de saída seja fechado, o Reino Unido pode mudar de ideia sobre os vínculos futuros até o fim de 2020.

Adiar as discussões para exercer pressão irritaria seus legisladores, mas é aí que a capacidade de May para aguentar o sofrimento ajuda. Com os conservadores divididos em relação ao Brexit, nenhuma das alas do partido estaria disposta a derrubá-la, com receio de gostar ainda menos de seu substituto. Cercada de críticas e enfraquecida em seu próprio gabinete, May permanecerá o tempo que conseguir aguentar.

E Theresa May tem muita paciência.

--Com a colaboração de Timothy Ross .

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