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Aparelhos de vestir podem compensar queda de smartphones na Ásia

Enda Curran

(Bloomberg) -- O boom da tecnologia que movimenta as economias da Ásia está prestes a se reiniciar.

O crescimento explosivo de dispositivos novos, como os aparelhos de vestir e os eletrodomésticos conectados à internet, deve compensar o esfriamento das vendas de smartphones, que já afetou as fabricantes de tecnologia da Ásia.

"A demanda pode estar diminuindo em algumas áreas, mas isso será compensado por um fortalecimento em outras", disse Koshy Mathai, representante sênior do Departamento da Região Ásia-Pacífico do Fundo Monetário Internacional, em entrevista. Ele apontou para a futura demanda de "uma enorme classe média na China, na Índia e em outros mercados de fronteira".

Esta é uma boa notícia para a economia mundial. A região Ásia-Pacífico representa 60 por cento do crescimento global, e grande parte desse crescimento vem de uma rede de abastecimento de tecnologia que é vulnerável aos ciclos dos smartphones.

O FMI não é o único a prever a chegada de um novo ciclo de tecnologia. O mundo está no estágio inicial de uma transição das últimas etapas da era da internet móvel para uma nova era informática centrada nos dados, escreveram analistas do Morgan Stanley em um relatório no mês passado.

Esta será a primeira era em que várias tecnologias surgirão ao mesmo tempo, como a internet das coisas, a inteligência artificial, a realidade virtual e a realidades aumentada, e isso exigirá investimentos em TI sem precedentes desde o lançamento da internet em 1990, disseram os analistas do Morgan Stanley.

Considere os aparelhos de vestir. Projeta-se que as vendas globais de câmeras usadas no corpo chegarão a 5,6 milhões de unidades em 2021, mais que o triplo do total deste ano, 1,6 milhão, segundo projeções da Gartner. As vendas de relógios inteligentes devem pular de 48 milhões para 81 milhões no mesmo período, e as de HMD devem mais que dobrar, para 67 milhões.

O investimento em soluções de robótica e drones chegará a US$ 103,1 bilhões em 2018, 22 por cento a mais que no ano passado, e mais do que dobrará para US$ 218,4 bilhões até 2021, segundo a International Data Corporation.

Isto deve beneficiar fabricantes como as sul-coreanas LG Display, que fabrica as telas usadas em produtos como relógios inteligentes e dispositivos com Bluetooth, e Samsung Electronics, que fabrica capacidade de memória. A japonesa Sony está desenvolvendo sensores 3D que podem ser usados em drones, carros autônomos, consoles de videogames, equipamentos industriais e mais.

"As fabricantes sempre conseguiram adaptar a linha de produção para atender à mais nova tendência no mercado", disse Kenneth Liew, gerente sênior de pesquisa da IDC em Cingapura. "Agora consideramos que produtos como os aparelhos de vestir e os dispositivos para casas inteligentes são alguns dos produtos fundamentais para o crescimento futuro."

É claro, tudo mudará se uma guerra comercial entre a China e os EUA eclodir. Tirando isso, a próxima evolução na tecnologia deve apoiar o crescimento econômico global, mesmo que os smartphones estejam chegando ao ponto de saturação.

"Muitas vezes os economistas não entendem o bastante de tecnologia para compreender do que ela é capaz em termos de crescimento", disse Mathai, do FMI.

--Com a colaboração de Debby Wu .

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