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Disputa em produtora de ouro envolve magnata e herdeiro de banco

Thomas Biesheuvel

(Bloomberg) -- A batalha por algumas das minas de ouro mais valiosas da Rússia ostenta um elenco incomum de personagens: o descendente de uma das grandes famílias bancárias da Europa, um magnata cazaque com sua própria criptomoeda, o fundo de hedge D.E. Shaw e acionistas misteriosos.

Todos fazem parte de uma nova briga pelo controle da Petropavlovsk, uma mineradora com ações vendidas em Londres. Pela segunda vez em um ano, a empresa está no meio de um golpe dos acionistas para derrubar o conselho e ressuscitar suas fortunas.

Uma década atrás, a Petropavlovsk valia US$ 3 bilhões e era citada como futura integrante do índice de referência FTSE 100, mas a queda dos preços do ouro e erros de gestão a transformaram em uma ação de baixo valor. A empresa, criada por Pavel Maslovskiy e pelo herdeiro do setor bancário Peter Hambro, ainda é proprietária de minas lucrativas e de uma nova unidade que está prestes a entrar em funcionamento.

"Esta é uma história de recuperação", disse Ivan Mazalov, diretor da Prosperity Capital Management, uma gestora de ativos focada na Rússia que comprou ações recentemente.

A Petropavlovsk reduziu a produção de ouro nos últimos anos para se concentrar em onças mais rentáveis, e até o momento a decisão parece estar funcionando. No ano passado, a empresa divulgou o maior lucro líquido desde 2012, e a grande esperança é que um novo método de processamento possibilite a extração de minérios mais complicados.

Ativistas misteriosos

Mas, para se recuperar, a Petropavlovsk precisa corrigir uma cisão que surgiu neste mês na empresa.

De um lado, dois acionistas misteriosos tentam derrubar o conselho e trazer antigos diretores de volta. Do outro lado estão proprietários como a D.E. Shaw, que demitiram os executivos no ano passado.

As duas acionistas não identificadas -- CABS Platform e Slevin -- estão registradas em Gibraltar e Anguilla, respectivamente, e detêm uma participação de 9,1 por cento. Não se sabe publicamente quem está por trás dessas companhias controladoras.

A influência de mais peso provavelmente será o magnata cazaque Kenes Rakishev, maior acionista da empresa e genro de um ex-vice-primeiro-ministro cazaque. O executivo, que detém investimentos em bancos, telefonia celular e projetos de infraestrutura, comprou uma participação na Petropavlovsk em dezembro.

Falta de ambição

Ainda não está claro quais são as intenções de Rakishev, mas ele tem criticado a gestão atual. No início do ano, ele censurou executivos pela falta de ambição e prometeu uma reformulação. Rakishev disse que a decisão de derrubar o conselho foi uma surpresa e que gostaria de conhecer melhor os planos dos acionistas rebeldes.

A principal dúvida provavelmente seja se os cofundadores da Petropavlovsk terão permissão para retornar. Rakishev e os novos acionistas pediram que Maslovskiy retome o cargo de CEO, mas não se sabe se Hambro o acompanhará.

Hambro é tão associado à Petropavlovsk que até 2009 a empresa se chamava Peter Hambro Mining. Ele foi presidente do conselho desde a fundação com Maslovskiy até o início da década de 1990, e ambos gerenciaram a firma na ascensão e na queda.

Hambro foi expulso no ano passado por acionistas irritados com os erros da empresa, e Maslovskiy renunciou logo depois. O grupo foi liderado pelo bilionário russo Viktor Vekselberg e apoiado por D.E. Shaw, M&G Investment Management e Sothic Capital Management.

Essa aliança agora desmoronou. Vekselberg vendeu sua participação a Rakishev, e a M&G negociou pelo menos parte de seus ativos com a Prosperity Capital.

--Com a colaboração de Jack Farchy e Liezel Hill .

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