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Famosa por festas, Tailândia agora aposta em reabilitação

Natnicha Chuwiruch

14/05/2018 15h07

(Bloomberg) -- A Tailândia, um paraíso tropical conhecido como um lugar para curtir, está começando a ganhar outra reputação: uma opção de baixo custo para os estrangeiros que querem se desintoxicar.

Embora a reputação de curtição do ensolarado país do Sudeste Asiático tenha atraído mais de 200 milhões de visitantes na última década, nos últimos anos a Tailândia se tornou um dos principais destinos de turismo médico do mundo. Além das opções de tratamento com preços razoáveis, seu clima quente e alternativas relativamente baratas de alimentação e hospedagem fazem com que o país seja um destino privilegiado para aqueles que buscam se recuperar do consumo de bebidas alcoólicas ou drogas em hospitais ou centros de reabilitação.

A epidemia de opiáceos na América do Norte, a crise da heroína na Europa e o consumo de metanfetaminas na Austrália criaram ondas de viciados em busca de ajuda. Com listas de espera de meses em seus próprios países, reservar um quarto em um dos centros de reabilitação da Tailândia se torna uma opção muito atraente para os turistas, especialmente porque os requisitos de visto do país são simples.

"A maioria dos nossos clientes vem do exterior", disse Adrian Crump, presidente da The Cabin Addiction Services Group, o maior centro de reabilitação de luxo de estilo ocidental da Tailândia.

Até mesmo os templos da Tailândia estão oferecendo serviços de reabilitação.

A cerca de duas horas ao norte de Bangkok, no sopé das montanhas na província de Saraburi, o telhado dourado de um templo budista se destaca entre a floresta exuberante que o rodeia. O templo de Thamkrabok (Wat Thamkrabok, em tailandês) é conhecido por seu programa de 15 dias de reabilitação de drogas, durante o qual pacientes projetam líquidos através de todos os seus orifícios, vomitando, suando e excretando. O custo do tratamento? Zero. Os pacientes só pagam o transporte para chegar lá e a comida, e devem prometer nunca mais usar drogas.

"Você não pode subestimar as drogas", disse o vice-abade do mosteiro, Phra Ajahn Vichit Akkajitto. "É por isso que eles precisam fazer a promessa, cumpri-la e jamais violá-la, porque essa promessa os tornará mais fortes."

Resorts luxuosos

Outras opções estão mais de acordo com a reputação dos resorts luxuosos da Tailândia.

Nos arredores da cidade de Chiang Mai, no norte do país, fica The Cabin. Suas 120 residências possuem piscina particular, área para refeições ao ar livre, academia e clínica com vista para as montanhas. The Cabin se gaba de ter recebido pacientes de mais de 60 países e está atendendo especialmente a clientela do Oriente Médio com um programa árabe. A clínica também lançou programas específicos para a comunidade LGBT e para jovens clientes do sexo masculino.

Essa é a instalação de internação mais cara do país, embora o gasto seja relativo em comparação com o de clínicas dos EUA, como Betty Ford Center ou The Meadows, que chegam a cobrar US$ 67.750 e US$ 54.300, respectivamente, por seus programas. A estadia de um mês no The Cabin custa a partir de US$ 15.900.

A facilidade para conseguir um visto também é um fator que estimula o turismo médico na Tailândia. Portadores de passaportes de 55 países podem sair do avião e passar direto pela imigração, com um visto de pelo menos 30 dias de estadia como turista. No ano passado, a Tailândia chegou a ganhar 49 bilhões de baht (US$ 1,56 bilhão) em receita com esses pacientes, de acordo com o Kasikorn Research Center.

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