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Dinheiro dos mortos impõe desafio para bancos japoneses

Yuki Hagiwara, Gareth Allan e Takako Taniguchi

15/05/2018 14h15

(Bloomberg) -- Se tem testamento, tem jeito. É nisso que os bancos japoneses apostam, na tentativa de segurar os US$ 460 bilhões deixados anualmente por clientes falecidos.

Mais de 1 milhão de pessoas morrem todo ano no Japão. Com isso, os bancos menores não perdem somente a clientela, mas também depósitos, uma vez que os herdeiros costumam levar o dinheiro para cidades maiores, onde os grandes bancos são mais fortes. Bancos regionais perdem aproximadamente 60 por cento dos fundos em herança, segundo estimativa do Instituto Fidelity de Educação de Investidores.

Cerca de um quarto da população japonesa tem mais de 65 anos. Instituições financeiras locais como o Mie Bank tentam conquistar a próxima geração de clientes e seus depósitos, oferecendo o chamado fundo substituto testamental ? um produto de herança que facilita a liberação de recursos quando o dono morre. Sua estruturação permite que o banco estabeleça um relacionamento com os herdeiros.

"Quando a sucessão ocorre por meio do falecimento de um cliente idoso, geralmente os filhos e filhas vivem em Tóquio ou ali perto, e tínhamos o problema da migração dos depósitos para a cidade grande", conta Kazuhito Wakiuchi, gerente do Mie Bank na parte oeste do país. O plano da instituição é vender esses fundos a partir de julho, em parceria com o Mizuho Financial Group, o terceiro maior grupo bancário do Japão.

Os bancos começaram a vender esses fundos há uma década e mais de 150.000 estavam vigentes em dezembro, de acordo com dados da associação japonesa do segmento. A popularidade desses produtos aumentou porque ajudam herdeiros a cobrir despesas imediatas, como funeral. Os donos podem escolher entre deixar uma grande soma ou distribuir os recursos gradualmente.

A atuação com heranças também ajuda os bancos a diminuir a dependência em relação a empréstimos, que estão com margens muito apertadas por causa dos juros baixíssimos, de acordo com a Fitch Ratings. Com a maior concorrência nos empréstimos, o órgão regulador do setor financeiro tem incentivado os bancos a procurar outras formas de manter um modelo de negócios sustentável.

"O negócio de sucessão é essencial para garantir a sobrevivência dos bancos regionais", disse Kaori Nishizawa, diretora para instituições financeiras da Fitch em Tóquio.

O Instituto Fidelity de Educação de Investidores calcula que, anualmente, 50 trilhões de ienes (US$ 460 bilhões) em ativos financeiros são passados a sucessores no Japão. A expectativa é que a quantia aumente junto com o crescimento do número anual de mortes nas próximas duas décadas. Há grandes fortunas envolvidas, uma vez que o Japão é um dos países com mais milionários no mundo, com ativos cumulativos na casa de US$ 7 trilhões, segundo a Capgemini.

Embora o trabalho de sucessão viabilize relacionamentos entre os bancos locais e os herdeiros dos clientes, não há garantia que os ativos ficarão onde estão. Isso porque apenas um quinto dos bancos regionais tem licença para administrar esses fundos e muitos precisam vender os produtos de bancos maiores, que exigem que os beneficiários abram contas com eles.

O movimento de sucessão das próximas duas décadas deve retirar de regiões que não incluem Tóquio ou Osaka um total líquido de 40 trilhões de ienes em ativos financeiros de pessoas físicas, de acordo com a Sumitomo Mitsui Trust Holdings.

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