Bolsas

Câmbio

Morgan Stanley e Nomura divergem na perspectiva para emergentes

Aline Oyamada

(Bloomberg) -- As perdas que ampliaram os spreads das dívidas de mercados emergentes para os maiores níveis em 16 meses provocaram reações bem diferentes por dois titãs do setor financeiro.

O Morgan Stanley aposta alto nos títulos soberanos de nações em desenvolvimento, afirmando que o tombo deste ano criou um ponto de entrada atraente para a compra de papéis subestimados.

A Nomura Holdings tem visão oposta: o tombo é apenas uma prévia do sofrimento que o investidor pode esperar para o resto do ano.

A argumentação otimista se concentra no crescimento econômico estável, nas projeções de depreciação do dólar e na expectativa de que os rendimentos dos títulos do Tesouro americano não irão se distanciar tanto dos patamares atuais. Por esses motivos, estrategistas do Morgan Stanley recomendam o aumento de posições em dívidas de mercados emergentes denominadas em moeda forte.

Já a Nomura cita potenciais problemas oriundos dos balanços de pagamentos.

"Mesmo se acertarmos na projeção de que o crescimento global está se segurando, é provável que ocorra apenas um breve alívio nos mercados emergentes", escreveram analistas da Nomura ? incluindo Rob Subbaraman e Young Sun Kwon ? em relatório divulgado na sexta-feira. "A nosso ver, o terceiro trimestre de 2018 é o trimestre de alto risco para um movimento doloroso nos mercados emergentes."

Os estrategistas da Nomura estão de olho no aumento dos custos de captação, na disparada do dólar e na alta do preço do petróleo. Esses fatores juntos irão exacerbar as pressões sobre a conta corrente que já se fazem presentes em alguns dos maiores mercados emergentes, de acordo com a instituição.

Títulos soberanos de países em desenvolvimento agora rendem, na média, aproximadamente 3,2 pontos percentuais a mais do que títulos do Tesouro americano de prazo similar. No início de maio, o spread atingiu o maior nível em 16 meses de 3,4 pontos, segundo dados compilados pelo JPMorgan Chase. Para o investidor, as dívidas emitidas no exterior por governos de nações emergentes trouxeram perda de 4 por cento neste ano.

Edwin Gutierrez, responsável por dívida soberana de mercados emergentes da Aberdeen Standard Investments, que supervisiona 575 bilhões de libras esterlinas (US$ 780 bilhões) em ativos globalmente, tem perspectiva positiva para esses papéis. Para ele, essa classe de ativos oferece valor, com exceção de Argentina e Turquia, onde a expectativa dele é de turbulência.

"Acho que os títulos denominados em dólar estão moderadamente baratos agora, sendo que antes estavam caros", avalia Gutierrez.

No Morgan Stanley, o estrategista James Lord vê possibilidade de alargamento dos spreads dos ativos emergentes até o fim do ano, mas agora enxerga oportunidades para compra de créditos de alta qualidade com desconto. Para ele, os ativos da África do Sul são particularmente atraentes.

"Resumidamente, acreditamos que o mercado exagerou no risco dos emergentes e que os níveis atuais representam oportunidade tática para acrescentar risco", escreveu Lord em relatório distribuído no domingo.

--Com a colaboração de Justin Villamil .

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos