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Nu reclinado de Modigliani foi arrematado por US$ 157,2 mi

Katya Kazakina

15/05/2018 12h51

(Bloomberg) -- Um retrato de uma mulher nua pintado por Amedeo Modigliani foi vendido por US$ 157,2 milhões na Sotheby's na segunda-feira, o maior resultado de um leilão nos 274 anos de história da Sotheby's, em uma venda que, no mais, foi morna.

O "Nu couché (sur le côté gauche)", de 1917, liderou a venda de arte moderna e impressionista da Sotheby's em Nova York, respondendo por metade do total da noite, de US$ 318,3 milhões. Dos 45 lotes oferecidos, 13 não conseguiram encontrar compradores, incluindo obras de Pablo Picasso, Henry Moore e Marc Chagall.

O vendedor do Modigliani, o bilionário irlandês John Magnier, criador de cavalos puro-sangue, havia comprado o quadro por US$ 26,9 milhões em 2003 em um leilão da Christie's, e o preço quase sextuplicou em 15 anos.

Assim como alguns dos principais lotes da venda do patrimônio de Rockefeller, realizada na semana passada na Christie's, o resultado esconde um panorama mais complexo. A Sotheby's revelou o quadro em Hong Kong no mês passado, tendo como alvo clientes asiáticos que têm comprado ativamente obras de arte impressionistas e modernas nas últimas temporadas.

Estimado em mais de US$ 150 milhões, esperava-se que ele quebrasse o recorde de leilão de um Modigliani, de US$ 170,4 milhões também para um nu, registrado em 2015. O comprador daquele quadro foi o Long Museum de Xangai, fundado pelo bilionário Liu Yiqian.

Finalmente, houve apenas um licitante -- um cliente que havia combinado antes do leilão fazer uma oferta irrevogável que garantiria a venda do quadro. Quando a venda começou, em US$ 125 milhões, a sala e os telefones permaneceram em silêncio, apesar dos apelos do leiloeiro para Patti Wong, presidente da Sotheby's Asia, para ver se ela faria uma oferta em nome de algum cliente. Wong só balançava a cabeça: negativo.

Grande expectativa

"A expectativa estabelecida em nome do consignador foi muito alta -- falava-se de cerca de US$ 200 milhões -- a segunda obra de arte mais cara já vendida", disse Todd Levin, um consultor de arte que fez uma oferta por obras no leilão em nome de clientes.

A obra mais cara já vendida -- "Salvator Mundi", de Leonardo Da Vinci -- arrecadou US$ 450,3 milhões em novembro. "Isso faz com que muita gente sinta que não pode nem pensar em algo assim, inclusive pessoas com patrimônio muito alto", disse Levin.

Assim como o Modigliani na Sotheby's, uma pintura de uma menina nua com uma cesta de flores, de Picasso, na venda do patrimônio de Rockefeller, também foi para uma garantia de terceiros, arrecadando US$ 115 milhões, o que esfriou o clima e levantou dúvidas sobre a resistência dos preços no extremo mais alto do mercado.

"A garantia assustou a concorrência e isso preparou o terreno para um recorde histórico bastante anticlimático", disse Evan Beard, executivo dos Serviços de Arte Nacional da U.S. Trust, sobre a garantia do Modigliani.

Embora os lances tenham sido praticamente inexistentes, um dos destaques foi a paisagem "Lake George with White Birch", de Georgia O'Keeffe, que arrecadou US$ 11,3 milhões, quase o dobro da estimativa mais alta.

--Com a colaboração de Frederik Balfour .

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