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Tim Cook revela ter dito a Trump que tarifas à China são erro

Alistair Barr

(Bloomberg) -- O CEO da Apple, Tim Cook, disse ter criticado a abordagem de Donald Trump em relação ao comércio com a China em uma reunião recente na Casa Branca. Ele disse também que pediu que o presidente dos EUA aborde o status legal dos imigrantes conhecidos como Dreamers.

Em entrevista à Bloomberg Television, Cook disse que sua mensagem para Trump se concentrou na importância do comércio e em como a cooperação entre dois países pode estimular a economia mais do que a atuação isolada de cada um deles.

Cook se reuniu com Trump no Salão Oval no fim de abril, em meio à crescente guerra comercial entre os EUA e a China. O governo Trump impôs tarifas de 25 por cento a pelo menos US$ 50 bilhões em produtos da China, o que provocou retaliações. Em entrevista ao programa "The David Rubenstein Show: Peer-to-Peer Conversations", Cook admitiu que as políticas comerciais anteriores tinham defeitos, mas disse que a medida de Trump também é problemática.

"É verdade, sem sombra de dúvida, que nem todos foram beneficiados com isso - nos dois países -, e precisamos trabalhar nisso", disse Cook. "Mas achei que as tarifas não eram a abordagem certa aqui e mostrei a ele algumas coisas mais analíticas para demonstrar por quê."

A Apple produz a maioria de seus produtos na China, e os EUA e a China estão entre seus três maiores mercados, mas por enquanto a empresa de tecnologia com sede em Cupertino, na Califórnia, não foi afetada seriamente pelas tensões comerciais. Embora produtos como o iPhone e o iPad sejam elaborados nos EUA, eles são produzidos em fábricas na China administradas por empresas como Hon Hai Precision Industry e Pegatron.

A Apple gerou US$ 35 bilhões em receita nas Américas no mais recente trimestre de fim de ano, e as vendas na China quase chegaram a US$ 18 bilhões. A China se tornou um dos mercados mais importantes da Apple desde que Cook se tornou CEO em 2011, e hoje a empresa tem 41 lojas varejistas na região, a maior quantidade fora dos EUA.

Cook disse ter pedido que o presidente dos EUA encontre uma solução para os imigrantes sem documento que foram levados aos EUA na infância. Até agora, os legisladores não negociaram uma substituição legislativa para o Deferred Action for Childhood Arrivals, o programa da era Obama que poupava os imigrantes conhecidos como Dreamers da deportação. "Com apenas uma única decisão judicial, pode haver um caso catastrófico", disse Cook.

A Apple tem defendido mais uma lei apoiada por Trump que reduziu os impostos corporativos. Ela é especialmente benéfica para a Apple e para outras grandes empresas de tecnologia dos EUA que têm centenas de bilhões de dólares no exterior e agora estão repatriando esse dinheiro. Cook disse que a Apple injetará US$ 350 bilhões nos EUA nos próximos cinco anos por meio do pagamento de impostos, contratações, um novo campus e US$ 30 bilhões em dispêndio de capital.

"Também vamos recomprar algumas de nossas ações porque consideramos que elas são valiosas", disse Cook a Rubenstein na entrevista. "Isso também é bom para a economia, porque ao vender ações, as pessoas pagam impostos sobre os ganhos."

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