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Bônus concedidos a homens evidenciam disparidade de gênero

Suzi Ring

16/05/2018 14h19

(Bloomberg) -- As diferenças entre os bônus concedidos a homens e mulheres nas empresas britânicas são, em média, duas vezes maiores que as diferenças salariais, o que ressalta como essas recompensas aumentam a disparidade no ambiente de trabalho, segundo uma análise de informações do governo.

Mais de 80 por cento das empresas que divulgaram recentemente as diferenças salariais entre gêneros, em respeito às novas leis do Reino Unido, apresentam uma diferença nos bônus em favor dos homens, segundo relatório publicado nesta quarta-feira pela empresa de contabilidade PricewaterhouseCoopers. Em cerca de 55 por cento delas, em torno de 5.500 empresas, a diferença no bônus foi de mais de 30 por cento, apontou a análise.

Segundo a nova legislação, as empresas britânicas com pelo menos 250 funcionários são obrigadas a divulgar a média e a mediana das diferenças nos salários por hora e nos bônus entre homens e mulheres. No Reino Unido, as empresas são proibidas desde 1975 de pagar salários diferentes a homens e mulheres pelos mesmos trabalhos, mas os relatórios sobre remuneração e gênero chamam a atenção pelo desequilíbrio nos cargos: os homens monopolizam os cargos mais importantes, enquanto as mulheres dominam os de pior remuneração.

Várias grandes empresas britânicas, como a EasyJet, a Balfour Beatty e o escritório de advocacia Slaughter & May, foram interrogadas sobre o assunto por um painel de parlamentares britânicos na terça-feira. Os legisladores criticaram duramente a diretora de recursos humanos do Slaughter & May, Louise Meikle, pela recusa da empresa em divulgar os números dos salários dos sócios. Embora a lei não exija a inclusão dos sócios, muitas companhias consideraram que essa isenção é um equívoco, porque elimina a camada superior dos dados, e divulgaram esses dados voluntariamente.

Rachel Reeves, presidente do Comitê de Negócios, Energia e Estratégia Industrial, disse a Meikle que se ela estivesse se formando em uma universidade de primeira linha e avaliando em qual escritório de advocacia trabalharia, não escolheria o Slaughter & May, considerando o que ouviu na sessão.

Aproximadamente 40 por cento das cerca de 10.000 empresas que divulgaram informações sobre a disparidade salarial tinham uma diferença salarial média por hora maior que a média nacional, de 17,4 por cento, segundo o relatório da PwC. Em cerca de 1.000 empresas a diferença no salário por hora era de mais de 30 por cento.

Números enganosos

As empresas de serviços financeiros divulgaram algumas das maiores disparidades salariais, enquanto as organizações de alimentos e saúde mostraram discrepâncias menores. Os números de alguns setores podem ser enganosos porque eles são desproporcionalmente masculinos, segundo a PwC. O setor de transportes, por exemplo, divulgou diferenças salariais relativamente pequenas, provavelmente devido à falta de funcionárias mulheres para comparação.

Cerca de um quinto das empresas que apresentaram relatório também foram categorizadas erroneamente pelo governo, segundo Jon Terry, líder de consultoria de diversidade e inclusão no Reino Unido para a PwC, que trabalhou no relatório. Entre os exemplos há uma empresa de hambúrgueres que foi classificada como um banco, disse Terry.

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