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Falência cria gigante do petróleo nos EUA após 130 anos

Kevin Crowley

16/05/2018 14h12

(Bloomberg) -- As ações de petróleo mais badaladas do boom do xisto dos EUA pertencem a uma empresa que nunca extraiu nem sequer um barril de petróleo.

As ações da Texas Pacific Land Trust, um banco de terras cotado em bolsa que foi criado a partir da recuperação judicial de uma empresa ferroviária há mais de um século, subiram mais de 2.200 por cento desde 2010 e superaram o desempenho das ações de produtores, empresas de serviços e prospectores de petróleo de xisto. Agora a companhia vale mais de US$ 5 bilhões.

O segredo: enormes áreas de direitos de mineração na bacia do Permiano, a região petroleira de grande tamanho mais badalada do mundo, que lhe rendem receita de nomes como Chevron, que precisam pagar ao truste quando produzem em suas terras.

"Estas ações passaram anos desapercebidas", disse Eric Marshall, gerente de fundo em Dallas da Hodges Capital Management, uma das primeiras investidoras e uma das cinco principais acionistas, segundo dados compilados pela Bloomberg. "A verdadeira atividade no Permiano hoje é realizada nas áreas onde eles têm a maior parte dos terrenos."

Fruto da falência

Como muitas histórias de sucesso nos EUA, a Texas Pacific começou com uma falência. Na era da expansão para o Oeste no século 19, a Texas and Pacific Railway tentou construir uma ferrovia de Marshall, em seu estado natal, até San Diego. Uma licença federal concedeu terras à empresa para construir a linha, mas após atrasos e dificuldades financeiras, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial nos anos 1880.

Cerca de 1,41 milhão de hectares, uma área do tamanho de Connecticut, foram entregues aos detentores de títulos, colocados em um truste para serem vendidas com o tempo, e o dinheiro arrecadado se destinava a quitar os credores. O instrumento entrou na bolsa de Nova York em 1927 para recomprar ações e pagar dividendos cada vez que terras fossem vendidas, com o objetivo final de se liquidar.

Nos primeiros 100 anos, no entanto, grande parte das terras ensolaradas no oeste do Texas foi mais atraente para cães e lagartos do que para compradores com dinheiro na mão. E, após mais de um século, o truste ainda conserva quase 364.000 hectares - e, o mais importante, direitos de mineração.

A revolução do xisto em meados da década de 2000 transformou esta terra desprezada, que fica em alguns dos condados menos populosos dos EUA, em imóveis de alto nível.

O ano passado "foi o de maior sucesso para a Trust em seus 130 anos de história", segundo seu relatório anual. A receita bruta mais que dobrou em comparação com o ano anterior e chegou a US$ 132,4 milhões. O primeiro trimestre de 2018 também foi um sucesso, e a receita e os lucros voltaram a dobrar.

O CEO Tyler Glover, que, segundo o relatório anual, tem 33 anos de idade, e o diretor financeiro Robert Packer, de 48 anos, não responderam a mensagens telefônicas e e-mails com pedidos de comentários. Nenhum analista de Wall Street monitora a empresa, que não realiza conferências para informar seus resultados.

--Com a colaboração de David Wethe .

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