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Goldman e Aberdeen compram ativos emergentes após quedas

Netty Idayu Ismail

16/05/2018 12h18

(Bloomberg) -- A força do dólar, a alta dos rendimentos dos títulos americanos e tensões geopolíticas causaram fuga dos mercados emergentes. Aberdeen Standard Investments e Goldman Sachs Asset Management não participaram da debandada.

A Aberdeen, que supervisiona US$ 770 bilhões, aproveitou as quedas para aumentar posições nas moedas da Rússia, África do Sul e Indonésia. A divisão de gestão de ativos do Goldman, que administra mais de US$1 trilhão, considera o movimento recente exagerado e ampliou as posições em dívidas de mercados emergentes.

Com exceção de Argentina e Turquia, as perdas têm pouco a ver com os fundamentos das nações em desenvolvimento porque o crescimento segue firme, de acordo com a Ashmore Group.

"Não vemos nada na recente reversão de posições nos mercados emergentes que altere de qualquer maneira a perspectiva benigna" para essas regiões, afirmou Jan Dehn, responsável por pesquisa em Londres na Ashmore, que administra US$ 77 bilhões em ativos de países em desenvolvimento. "É hora de comprar ativos dos emergentes, não de vender."

Um índice Bloomberg que mede o retorno de posições cambiais financiadas com posições vendidas em dólar em oito mercados emergentes registrou quatro semanas de recuo. Um índice que acompanha moedas de países emergentes está próximo do pior nível do ano. As bolsas aprofundaram as perdas depois que o rendimento do título do Tesouro americano com prazo de 10 anos ultrapassou 3 por cento, na terça-feira, atingindo o maior nível desde 2011. O índice Bloomberg Barclays que acompanha títulos públicos denominados em moeda local sofreu quedas nas últimas cinco semanas.

A valorização recente do dólar foi motivada principalmente pela cobertura de posições vendidas de especuladores na moeda americana -- e "não por uma mudança na percepção do investidor do contexto macroeconômico", afirmou um relatório da Goldman Sachs Asset Management. "A recente desvantagem das dívidas de mercados emergentes parece excessiva e não achamos que essa fraqueza ampla se justifique, considerando a força de determinados países emergentes."

As economias globalizadas continuam crescendo, sustentando moedas e outros ativos, escreveu a instituição, acrescentando que as moedas de países emergentes também começam a parecer baratas segundo métricas tradicionais de avaliação, como o diferencial de juros.

Onde estão as pechinchas?

* A Goldman Sachs Asset Management concentrou posições em moedas de exportadores de petróleo que tiveram desempenho inferior diante da recente disparada do preço do barril, como o rublo, que se depreciou além da conta após as sanções anunciadas pelos EUA contra a Rússia.

** Na Argentina, "medidas ortodoxas", como aperto monetário, consolidação fiscal e interação com o Fundo Monetário Internacional ajudarão a aliviar a pressão sobre o peso, que desabou 22 por cento em 2018 e teve o pior desempenho entre as moedas de nações em desenvolvimento.

* A Aberdeen Standard Investments também gosta do rublo, argumentando que a elevação do preço do petróleo fortalece o balanço de pagamentos "já sólido" da Rússia, segundo Edwin Gutierrez, responsável por dívida soberana de mercados emergentes da instituição em Londres.

** Ele estava aguardando para comprar o rand sul-africano e seis semanas de depreciação abriram essa oportunidade.

** A Aberdeen também comprou títulos denominados em rúpias porque a curva de juros da Indonésia provavelmente já contempla a perspectiva de aperto monetário; a maioria dos economistas sondados pela Bloomberg prevê que o banco central subirá os juros na quinta-feira, após a rúpia atingir o menor nível em 31 meses.

** Embora os preços dos ativos de mercados emergentes já incluam a perspectiva de alta de juros nos EUA, o "maior problema ultimamente é o dólar forte".

--Com a colaboração de Lilian Karunungan .

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