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IPO de unidade da Bunge no Brasil terá de superar cenário azedo

Fabiana Batista

17/05/2018 15h57

(Bloomberg) -- A Bunge pode ter dificuldade em sua oferta pública inicial de negócios de produção de açúcar no Brasil em meio a crescentes problemas políticos e econômicos na maior economia da América Latina.

A empresa com sede White Plains, Nova York, informou na quarta-feira que contratou o Itaú BBA, o JPMorgan e o Santander para coordenar a venda de uma participação minoritária na unidade Bunge Açúcar e Bioenergia, que opera oito usinas com capacidade para processar anualmente 22 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

O anúncio ocorre em meio aos preços do açúcar mais baixos em três anos, após cair 28% nos últimos 12 meses, um selloff em ativos de mercados emergentes, redução das previsões para o crescimento econômico do Brasil e uma perspectiva política incerta conforme se aproximam as eleições presidenciais.

As usinas brasileiras de cana-de-açúcar, que lutaram por anos em meio a um aumento de custos e margens apertadas, se beneficiaram da crescente demanda doméstica por etanol depois que o teto do preço da gasolina foi removido. Mas o setor ainda enfrenta incertezas de longo prazo, já que um programa de combustíveis renováveis ??recentemente aprovado ainda carece de regulamentação, disse Alexandre Figliolino, sócio da consultoria MB Agro, de São Paulo, em entrevista por telefone.

"Ainda não tenho certeza de como essa empresa vai convencer os investidores de que será lucrativa no futuro", disse Figliolino.

Em período de silêncio, a Bunge não quis comentar.

A cia. também terá que convencer os investidores de que suas ações são mais atraentes do que as de seus pares. Os papéis da São Martinho estão sendo negociados a R$ 16,27 (US$ 4,42), após sofrerem queda de 16% este ano. Com base no preço alvo médio de oito analistas, as ações têm potencial de retorno de quase 40%.

A Bunge poderia arrecadar cerca de R$ 1 bi vendendo uma participação de 30% na unidade com base em múltiplos de avaliação do setor, de acordo com Willian Hernandez, sócio da consultoria FGA. O Ebitda da empresa foi de R$ 1,37 bi em 2017 e a dívida líquida, de R$ 2,9 bi.

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