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Mônaco tem plano de US$ 2,4 bi para não perder relevância

Lane Nieset

(Bloomberg) -- As pessoas que visitarem pela primeira vez o Cassino de Monte Carlo para o Grande Prêmio do próximo fim de semana talvez não encontrem a paisagem que esperavam. No lugar das vistas para o mar, telas ocultam a orla; na água, dragas estão posicionadas estrategicamente, como navios de guerra. "Os iates de Mônaco não parecem muito glamourosos hoje em dia", brinca um visitante.

A construção é o primeiro passo para a criação de uma nova e riquíssima região habitacional em um terreno que atualmente está debaixo d'água. Desde 2016, o governo do principado vem despejando milhares de toneladas de areia siciliana no porto raso a um custo de US$ 2,4 bilhões.

Por volta de 2025, o bairro de 6 hectares, chamado Anse du Portier (Portier Cove), aumentará o tamanho do principado em 3 por cento e terá 120 apartamentos de luxo, 10 mansões exuberantes, um calçadão à beira-mar que se estende até a praia de Monte Carlo e um porto inspirado em Portofino, idealizado pelo arquiteto Renzo Piano, ganhador do prêmio Pritzker - tudo no último remanescente de litoral intocado de Mônaco. É parte de um plano para resgatar o paraíso fiscal de sua escassez de moradia, que ajudou a criar na cidade-estado o mercado imobiliário residencial mais caro do mundo.

A incorporação segue-se a um esforço semelhante de recuperação de terras na década de 1970, quando o príncipe Rainier III construiu o bairro industrial de Fontvieille em quase 4 hectares que continham apenas água do Mediterrâneo. Ao contrário de capitais como Paris ou Nova York - que continuam se expandindo, para cima ou para os lados - Mônaco se recusa a derrubar prédios antigos para abrir espaço para uma série de edifícios mais novos e mais altos. A cidade só pode se expandir de um único modo: sobre a água.

Bairro de luxo à beira-mar

De acordo com Jean-Luc Nguyen, diretor do projeto do governo de expansão offshore, o objetivo do Portier Cove é "oferecer residências extremamente luxuosas para pessoas que queiram se instalar em Mônaco", já que a maioria do parque imobiliário do principado está esteticamente presa à década de 1970. As empresas e os moradores endinheirados que recebem as recompensas do paraíso fiscal são também os principais benfeitores da economia local e são fundamentais para o crescimento contínuo do Mônaco.

O novo bairro ajudará a atrair bilionários com algumas comodidades de última geração (como aquecimento e eletricidade gerados por energia solar), além de amplas vistas para o mar. As mansões - que chegam a ter mais de 1.480 metros quadrados - custam 30 por cento mais do que a média das casas de Mônaco, estimadas em cerca de US$ 60.256 por metro quadrado. Mas Nguyen alerta que as guerras de ofertas levarão os preços finais até onde "o que o cliente estiver disposto a pagar".

Para alguns, o projeto tem um efeito Robin Hood ao contrário, porque rouba terra do mar, assim como "The World", de Dubai. O arquipélago de 300 ilhas tinha como alvo um grupo de elite de ricos e famosos, como Brad Pitt e Richard Branson. mas acabou fracassando - e criou um rombo de US$ 60 bilhões em dívidas. O governo de Mônaco argumenta que esse projeto não está relacionado com a ideia de se tornar uma cidade superlativa como Dubai, com a arquitetura "mais alta" e "mais cara", mas sim com o plano do príncipe de transformar Mônaco em um país neutro em carbono até 2050.

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