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Réu compara cargo sênior no Barclays a atendente do McDonald's

Jeremy Hodges e Áine Quinn

(Bloomberg) -- Um ex-funcionário do Barclays acusado de manipular taxas de juros minimizou a importância de seu cargo sênior no banco, declarando a um tribunal em Londres que o trabalho dele era comparável ao de um atendente de lanchonete.

No Barclays, ser vice-presidente ? cargo atribuído a centenas de pessoas em bancos de investimento, com conotação diferente no Brasil ? é "equivalente a ser o cara que te atende no McDonald's", afirmou Carlo Palombo, 39 anos, em seu segundo dia de depoimento, nesta quinta-feira.

Ele está sendo julgado junto com outros ex-traders do Barclays, Colin Bermingham e Sisse Bohart, e com Achim Kraemer, do Deutsche Bank. Todos negam que tenham conspirado para definir o nível da taxa interbancária Euribor entre 2005 e 2009.

Philippe Moryoussef, que foi chefe de Palombo, também está sendo julgado, mas não comparece às audiências nem é representado por advogados.

O procurador James Waddington questionou a declaração, perguntando se a "comparação funciona".

"Vice-presidente não é o que todo mundo pensa que é", respondeu Palombo. "É júnior."

Desigualdade de renda

Waddington disse aos jurados que o ex-trader recebeu como pagamento 1 milhão de libras esterlinas (US$ 1,35 milhão) em 2007.

"As pessoas recebem muito dinheiro" trabalhando em bancos, disse Palombo. "Se quiser ter uma conversa sobre desigualdade de renda, vamos ter uma conversa sobre isso."

O inquérito conduzido pelo Escritório de Fraudes Graves do Reino Unido, que também cuida da acusação, foi parte de uma investigação mais ampla sobre taxas de juros de referência, vinculadas a trilhões de dólares em derivativos e empréstimos. A mais famosa é a Libor, contraparte da Euribor.

Palombo negou qualquer tentativa de influenciar a Euribor, mas admitiu que pediu taxa preferencial à mesa de operações à vista.

"Fiz as solicitações para o livro e para a equipe", ele disse. "Fiz as solicitações conforme instruções da equipe."

Palombo explicou que era trader júnior na mesa, mas que seu trabalho "gerou muito dinheiro para o livro" que contabiliza os resultados das operações.

"Não tem nada a ver com este caso", ele afirmou. "Não tem nada a ver com o motivo de estarmos aqui."

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