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Safras de Índia e Tailândia ameaçam usinas de açúcar do Brasil

Fabiana Batista e Pratik Parija

17/05/2018 12h07

(Bloomberg) -- A produção de açúcar recorde da Índia e da Tailândia está pesando bastante sobre os usineiros do Brasil, o maior produtor mundial.

Por problemas financeiros, nove usinas podem não processar cana-de-açúcar em 2018-2019, ampliando o grupo de cerca de 80 que interromperam a produção de 2008 para cá, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). O açúcar está abaixo do custo médio de produção no Brasil após a queda dos preços internacionais deste ano, o que torna mais difícil para algumas usinas financiar a compra da cana e a manutenção das fábricas, informou a associação em relatório. O Brasil tinha cerca de 330 usinas em 2017, segundo a Conab.

A produção recorde da Índia e da Tailândia está levando o mercado global ao maior excedente da história nesta safra e há perspectivas de um novo superávit no ano que vem. Os fundos de hedge se preparam para mais perdas e apostam na queda dos preços há cinco meses seguidos. As posições vendidas totais estão a 3 por cento do recorde alcançado em 1º de maio.

"A Índia se transformará em inimiga do mundo do açúcar porque está basicamente produzindo uma quantidade excedente", disse Michael McDougall, corretor da ED&F Man Capital Markets em Nova York. "Acho que isso empurrará algumas usinas brasileiras para fora do negócio."

As empresas açucareiras do Brasil podem ter prejuízos se os preços continuarem sendo negociados entre 10 e 11 centavos de dólar a libra-peso, disse Joamir Alves, CEO da produtora de açúcar Grupo Virgolino de Oliveira, em entrevista, em São Paulo. Como a maioria das demais empresas do Brasil, a GVO desviará o máximo possível de caldo de cana para a produção de etanol em 2018-2019.

O açúcar bruto acumula queda de 28 por cento até esta altura do ano. Os contratos futuros do açúcar para entrega em julho subiram 1 por cento, para 11,73 centavos de dólar por libra-peso, na ICE Futures U.S., em Nova York, nesta quinta-feira, após caírem 0,8 por cento mais cedo. O preço chegou a 10,93 centavos em abril, o menor desde setembro de 2015.

Dívidas elevadas

Cerca de 30 por cento das usinas de açúcar do Brasil enfrentam níveis elevados de endividamento, disse Elizabeth Farina, presidente da Unica, em entrevista. Toda vez que a Índia subsidia a produção e as exportações, derruba ainda mais os preços, afetando as chances de recuperação dessas empresas, disse. O nível de endividamento das usinas de açúcar brasileiras é estimado em cerca de R$ 85 bilhões (US$ 23,1 bilhões), segundo a consultoria MB Agro.

A dívida das usinas provavelmente aumentará na temporada atual, disse Guilherme Bellotti, analista sênior de agronegócio do Banco Itaú BBA, por telefone.

As colheitas abundantes da Índia e da Tailândia provocariam um superávit global de 11,1 milhões de toneladas em 2017-2018, contra uma estimativa de 10,1 milhões de toneladas de um mês atrás e de 5,15 milhões de toneladas em março, disse José Orive, diretor-executivo da Organização Internacional do Açúcar, neste mês. A atualização é impulsionada pela safra maior da Índia e representa um "choque" para todos os participantes do mercado que não previram o salto de cerca de 50 por cento de um ano para o outro, disse.

--Com a colaboração de Marvin G. Perez .

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