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Fusão entre Linde e Praxair enfrentará objeções da UE

Aoife White e Oliver Sachgau

18/05/2018 13h18

(Bloomberg) -- A Linde e Praxair estão em vias de receber uma lista de objeções do órgão antitruste da União Europeia, que pode bloquear a fusão de US$ 46 bilhões entre as duas fornecedoras de gás industrial. A informação foi passada por três pessoas a par da análise da UE.

Essa lista - a chamada declaração de objeções ? aparece frequentemente em avaliações de fusões complexas e provavelmente apresentará em detalhes as preocupações relacionadas à transação e o que as empresas devem fazer para obter aprovação.

O documento será enviado nos próximos dias, segundo as fontes, que pediram anonimato porque o processo não é público. Por escrito e em audiências a portas fechadas, as companhias poderão apresentar seus argumentos à Comissão Europeia e tentar resolver potenciais problemas referentes às concessões. Conforme os prazos rígidos da UE para essas revisões, uma eventual declaração de objeções precisaria ser emitida até o fim do mês.

No primeiro esboço do plano de fusão, Linde e Praxair definiram limites claros para os ativos que venderiam e que teriam até outubro para obter aprovação das autoridades antitruste.

De acordo com o plano, os ativos combinados não podem ter faturamento anual superior a 3,7 bilhões de euros (US$ 4,4 bilhões) ou lucro antes de juros, depreciação e amortização acima de 1,1 bilhão de euros.

Venda de ativos

A Linde, sediada em Munique, está progredindo no processo de venda de ativos do qual depende a aprovação regulatória, afirmou o presidente Aldo Belloni, no começo de maio. O maior obstáculo à transação é a revisão da UE, atualmente com prazo até 9 de agosto, com possibilidade de extensão. No passado, a oposição do órgão sediado em Bruxelas já fez com que empresas desistissem de fusões ou sacrificassem mais ativos do que planejavam.

Representantes da Linde e da comissão em Bruxelas se recusaram a comentar. A Praxair, sediada em Danbury, no Estado americano de Connecticut, não respondeu imediatamente a uma solicitação de comentário da reportagem.

A declaração de objeções muitas vezes indica que as negociações com as autoridades reguladoras serão difíceis. No entanto, algumas esperam que a declaração seja apresentada e depois tentam lidar com essas preocupações. Os detalhes do documento ajudam as empresas a adaptar as concessões aos desejos de representantes da UE.

Por exemplo, a declaração de objeções enviada à Bayer deu à gigante alemã de produtos químicos uma ideia melhor das preocupações da UE em relação à compra da Monsanto, por US$ 66 bilhões, que foi autorizada com restrições no início do ano.

Três fornecedores

A comissão alertou em fevereiro que a fusão entre Praxair e Linde reduziria para apenas três o número de grandes fornecedores de gases como oxigênio e hélio na Europa, acrescentando que a nova companhia poderia subir preços e coordenar a oferta com apenas duas grandes rivais ? Air Liquide e Air Products & Chemicals. As autoridades não veem sinais de que alguma companhia surgiria para competir no segmento.

Linde e Praxair impuseram voluntariamente prazo até 24 de outubro para receber todas as aprovações cabíveis. Segundo pessoas a par dos esforços, as duas começaram a vender ativos nos EUA e Europa avaliados em US$ 8 bilhões.

De acordo com informações obtidas pela imprensa em março, manifestaram interesse pelos ativos as concorrentes Air Liquide, Air Products, a alemã Messer Group e a divisão de gás da japonesa Taiyo Nippon Sanso, além de grupos de private equity como KKR e Carlyle Group. A firma especializada em aquisições CVC Capital está trabalhando junto com a Messer, segundo as fontes.

Repórteres da matéria original: Aoife White em Bruxelas, awhite62@bloomberg.net;Oliver Sachgau em Munich, osachgau@bloomberg.net

Economia