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Corporación América lida com sucessão e conflitos

Tom Metcalf e Pablo Gonzalez

22/05/2018 15h24

(Bloomberg) -- Martin Eurnekian está se adaptando à vida de CEO de uma empresa de capital aberto. Atualmente com 39 anos, o sobrinho de Eduardo Eurnekian, de 85 anos, comanda a Corporación América Airports, que opera aeroportos na América Latina, incluindo um nas Ilhas Galápagos. A companhia se expandiu para a Europa e está de olho na Índia e na África. Sua entrada nos mercados foi difícil, e as ações caíram 35 por cento desde o IPO realizado no início deste ano. A empresa controladora de sua família também possui ativos de energia, uma fabricante de semicondutores e imóveis. A família emigrou da Armênia no início do século 20 e é a segunda mais rica da Argentina.

Em uma entrevista na sede da Bloomberg em Nova York, Eurnekian falou sobre a abertura de capital da empresa familiar, os planos para outras unidades e os motivos de seu otimismo com as maiores economias da América do Sul. Os seguintes trechos da entrevista foram condensados e editados.

Por que você abriu o capital da empresa?

Embora o IPO não tenha sido motivado pela sucessão, ele terá um papel importante nisso, porque nos obriga a deixar de ser uma empresa privada de propriedade familiar que basicamente segue nossas próprias regras. Agora temos políticas de governança, investidores e compliance. Às vezes, isso pode não acontecer em empresas familiares. Embora tenhamos outras partes da empresa familiar que ainda não são negociadas em bolsa, elas podem vir a ser.

Como a família gerencia seus diversos interesses?

Até agora, meu tio, que é o fundador, lidera a estratégia e as grandes decisões da empresa. Mas o bom de ser uma empresa familiar é que somos bastante diversificados. Os membros da família podem administrar diferentes negócios, então não nos encontramos todos os dias, o que às vezes cria tensão nas empresas familiares.

Como foi administrada a briga familiar sobre a unidade de semicondutores?

Isso faz parte dos altos e baixos das empresas familiares. A briga foi provocada pelo filho de um primo, e ele saiu da empresa [Matías Gainza Eurnekian, ex-campeão mundial de iatismo]. Continuamos administrando esses negócios, mas era ele que impulsionava o desenvolvimento lá. Estamos pensando no que fazer com o futuro dessa empresa porque gostamos dela, mas ela exige muito capital. A unidade de negócios no Brasil era muito grande e a crise do País abalou muito. Eu não diria que esta unidade de negócios seja estratégica para nós atualmente.

Você se sente otimista em relação ao Brasil?

É mais que um sentimento, é um fato. Tivemos dois anos ruins para nossos aeroportos no Brasil, com queda de passageiros em 2016 e 2017, e nos últimos quatro meses estamos crescendo. Os passageiros são um ótimo indicador do sentimento econômico. Veremos crescimento nos próximos anos.

E as perspectivas da Argentina em geral?

É uma ótima aposta para os investidores. Estou muito otimista em relação ao que vai acontecer na Argentina. Sempre será a Argentina, sempre será um país que tem mais volatilidade que a Dinamarca. Mas acho que as perspectivas são muito boas. Todo mundo estava confiante em relação às habilidades técnicas do governo e estava preocupado com as capacidades políticas desse governo. Eu acho que eles se saíram muito bem em ambos.

A família está envolvida na política?Não. Só nos negócios.

Repórteres da matéria original: Tom Metcalf em N York, tmetcalf7@bloomberg.net;Pablo Gonzalez em Buenos Aires, pgonzalez49@bloomberg.net