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Cidades dos EUA esperam furacões de 2018 sem ajuda de 2017

Christopher Flavelle

(Bloomberg) -- Allen Owen, o prefeito de Missouri City, Texas, quer fazer mais para proteger sua cidade do próximo desastre. Mas a cidade ainda não recebeu nada dos cerca de US$ 1 milhão em fundos federais para desastres que, segundo Owen, ela deve receber após o furacão Harvey. Isso significa que há menos dinheiro para tornar o pântano local à prova de inundações, instalar bombas maiores ou comprar e demolir as casas que alagam constantemente.

"Estamos entrando na temporada de furacões", disse Owen, um republicano, em entrevista. "Vai acontecer de novo."

Com a chegada de uma nova temporada de furacões nesta sexta-feira, cidadezinhas e cidades da Flórida e do Texas ainda esperam centenas de milhões de dólares em reembolsos prometidos da Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA (FEMA, na sigla em inglês) pela destruição recorde do ano passado. No Texas, mais de um terço dos US$ 695 milhões esperados ainda está pendente. E essa quantia é um enorme sucesso em comparação com a da Flórida, onde menos de 1 por cento dos US$ 83 milhões prometidos em verbas federais chegou às cidades e aos condados.

O resultado é que os governos locais devem usar fundos de emergência, pegar dinheiro emprestado e reduzir gastos, o que diminui a margem fiscal que possuem para que se preparem para o próximo desastre.

"Se tivermos mais uma tormenta neste ano, então realmente estaremos em problemas", disse Roman Gastesi, administrador do Condado Monroe, na Flórida, que espera US$ 34 milhões.

Processo pesado

Grupos do setor e auditores federais culpam um processo de reembolso pesado e o fato de a FEMA estar sobrecarregada pelo ritmo e pela magnitude dos desastres. A FEMA afirma que a responsabilidade cabe aos estados, que atuam como intermediários na distribuição dos fundos.

O dinheiro vem do programa Public Assistance da FEMA, que recebeu notas baixas dos auditores federais. Após os desastres do ano passado, o Escritório de Prestação de Contas do Governo dos EUA (GAO, na sigla em inglês) o descreveu como "um programa de subvenções complexo e com várias etapas", com "um processo extenso de documentação e revisão" e poucos funcionários treinados, o que provoca demoras no financiamento.

Supostamente, o programa deve pagar aos governos locais pelo menos 75 por cento do custo dos serviços de emergência, a remoção de entulho e a reparação ou substituição da infraestrutura pública após um desastre declarado pelo presidente. É o maior programa de subsídios para desastres da FEMA, e concedeu mais de US$ 36 bilhões entre 2009 e 2016.

A agência planejava reformá-lo neste ano para tratar das preocupações do GAO. Quando ocorreram os desastres do ano passado, a FEMA decidiu acelerar a reforma e introduziu o novo sistema antes do planejado. O resultado dessa mudança, segundo Chris Currie, o diretor de gestão de emergências do escritório, foi certo grau de transtorno burocrático - exacerbado pela magnitude dos desastres ocorridos no ano passado e pelo pessoal já sobrecarregado da FEMA.

Jenny Burke, uma porta-voz da FEMA, rejeitou a ideia de que a agência tem sido lenta na entrega de ajuda para desastres e disse que a crítica "não reflete o verdadeiro processo de recuperação ou o progresso que continua sendo feito após os desastres históricos do ano passado".

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