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Cinco assuntos quentes para o Brasil na próxima semana

Josue Leonel

(Bloomberg) -- Após a saída de Pedro Parente, principal questão agora é se política de preços da Petrobras será preservada. Inflação ganha destaque da agenda da próxima semana com IPCA sai no dia 8. No exterior, mercado monitora dados americanos para checar se payroll acima do previsto é um sinal consistente de maior crescimento. Números do PIB no Japão e da zona do euro e balança comercial da China também são destaques. Veja os principais temas:

Sem Parente, Petrobras fica sob escrutínio

Petrobras chegou a tombar 21,5% com a saída de Pedro Parente nesta sexta-feira. Tendência da ação a partir da próxima semana deve depender de o governo escolher um novo CEO que consiga reverter as expectativas de que a autonomia da gestão da estatal está sendo ameaçada. A saída de Parente torna mais distante o "sonho do mercado" de uma empresa independente e é um reflexo do aumento da fragilidade do governo, diz Lucas de Aragão, analista da Arko Advice. Além do novo presidente, mercado também quer saber se o sistema de preços da empresa não vai sofrer novas mudanças para além do diesel. A proposta de replicar para a gasolina o reajuste de preços a cada 30 dias avança no governo, segundo o Painel da Folha.

Inflação x câmbio

IPCA de maio tem estimativa mediana de 0,25% m/m, ante 0,22% em abril, e 2,71% a/a, ante 2,76% no mês anterior. Números comportados devem comprovar que o impacto da alta do dólar, de 6,05% em abril e mais 6,2% em maio, ainda não chegou nos IPCs, embora os IGPs já venham acusando essa pressão. A alta do dólar, que teria sido a responsável pelo freio da Selic no último Copom, pode ter peso maior nas futuras decisões do BC do que o comportamento da inflação corrente. Entre os dados da próxima semana, ainda está a produção industrial de abril, primeiro dado de atividade de maior peso do segundo trimestre. Estimativa é de crescimento.

Após payroll, atenção a dados nos EUA

As idas e vindas da guerra comercial entre EUA e China e as crises políticas na Itália e Espanha seguem em foco, mas devem dividir espaço com os dados dos EUA que saem na próxima semana, como os de pedidos às fábricas e bens duráveis. Os números voltam ao radar depois de o relatório de emprego nesta sexta-feira indicar um desempenho melhor do que o previsto do mercado de trabalho americano em maio. Caso surjam novos dados fortes, as apostas em uma política monetária mais dura do Fed devem ser retomadas, na contramão da recente sinalização menos hawkish dada pelo BC americano. Ainda na agenda externa, Japão e zona do euro divulgam PIB e saem dados da balança comercial chinesa na semana.

Efeitos da greve na economia e política

Os efeitos da greve dos caminheiros seguem em debate. Medidas para garantir o cumprimento do acordo com os caminhoneiros incluem redução de incentivos fiscais a exportadores e cortes em gastos sociais. Economistas preveem impacto de até 1pp no PIB do ano. Na política, efeito da crise pode ser gerar um clima ainda menos propício aos discursos de centro, preferidos do mercado. Candidatos pró-reformas tendem a perder ainda mais competitividade, em favor de um nome mais à direita, como Jair Bolsonaro, que tende a enfrentar no 2º turno algum desafiante de esquerda, como Ciro Gomes, disse Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria, em entrevista nesta semana.

Atuações do Tesouro e BC

Banco Central e Tesouro prosseguem com atuações no mercado, em meio à volatilidade dos ativos. No primeiro dia da segunda etapa de leilão extraordinário, Tesouro anunciou que não realizou nenhuma operação de recompra de títulos na sexta-feira. O anúncio sobre o prosseguimento dos leilões de recompra, feito na tarde de quarta-feira, derrubou os contratos de DIs, que não acompanham a alta do dólar reforçada pelos dados americanos mais fortes que o previsto. Será importante manter lotes grandes nos leilões de recompra, disse Luiz Eduardo Portella, sócio gestor da Modal Asset. Tesouro informou ainda que, mesmo após a intervenção extra, tende a ofertar volumes menores de títulos mais longos, mas garantiu que cumprirá as metas do PAF. BC também segue no mercado e anunciou a rolagem até 8.800 swaps nesta sexta-feira, além do lote de 15.000 diários.

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