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Gigantes do cobre estão na mira da Southern com expansão no Peru

James Attwood e John Quigley

01/06/2018 11h03

(Bloomberg) -- A Southern Copper Corp. se prepara para escalar o ranking de produtoras globais com investimentos de mais de US$ 10 bilhões no Peru e no México, aproveitando o aumento de preços sustentado por anos de vacas magras no setor.

A quinta maior produtora de cobre espera começar a trabalhar em seu projeto Tía María no Peru no próximo ano, na medida em que diminui a resistência da comunidade local, disse o diretor financeiro, Raúl Jacob, em uma entrevista em Lima. Com base nos benefícios econômicos que isso trará, a maior parte da população local agora apoia Tía María, que foi paralisada por protestos mortais em 2015, disse ele.

Ainda assim, a empresa não seguirá adiante enquanto as condições sociais não forem adequadas. A companhia estuda somar programas educacionais às iniciativas de saúde na região para tentar conquistar o apoio da comunidade.

Tía María é o mais avançado dos três projetos que a Southern planeja incorporar no país, com um investimento conjunto de cerca de US$ 7 bilhões. Juntamente com os investimentos no México, a Southern Copper planeja elevar sua capacidade para 1,7 milhão de toneladas até 2025, contra cerca de 900.000 toneladas agora, superando a Glencore e a BHP Billiton para se tornar a terceira maior produtora do metal vermelho, disse Jacob. A capacidade ultrapassará 1 milhão de toneladas no ano que vem, quando um novo concentrador em sua mina de Toquepala, no Peru, estiver plenamente operacional.

"Nos últimos cinco anos, não vimos investimentos significativos em todo o mundo", disse ele. "Houve projetos, mas não o suficiente para suprir a demanda que veremos nos próximos anos."

A aceitação pública de Tía María nas áreas vizinhas também é um pré-requisito para obter um alvará de construção do governo. No início deste mês, o presidente Martín Vizcarra disse que é necessário mais tempo para lidar com as preocupações da população local.

Na semana passada, a governadora regional de Arequipa, Yamila Osorio, disse que não via um futuro brilhante para o projeto depois que um representante da Southern Copper sugeriu que parte da oposição local pode ser explicada pelo fato de Abimael Guzmán, fundador da guerrilha Sendero Luminoso, ter nascido na região. Jacob disse que os comentários foram lamentáveis e "não refletem a posição da empresa".

Southern Copper, uma unidade do Grupo México, planeja investir US$ 1,4 bilhão para construir Tía María, adicionando 120.000 toneladas por ano de produção. A empresa obteve o direito de desenvolver o depósito de Michiquillay em fevereiro e espera que o governo entregue os alvarás no próximo mês.

Jacob disse que a empresa estuda expandir sua capacidade de refino e poderia tomar uma decisão neste ano. Uma opção seria aumentar sua operação em Ilo, e US$ 1 bilhão é uma estimativa "razoável" do tamanho do projeto, disse ele. Uma nova fábrica no México, nos EUA ou na Europa são outras opções.

A Southern Copper, que não recorre ao mercado de títulos desde 2015, pode tentar acabar com essa seca para ajudar a financiar sua carteira de projetos, disse ele.

Ainda assim, a empresa talvez não precise do mercado de dívidas. Com margens que estão entre as mais amplas do setor, a companhia poderia gerar cerca de US$ 1,2 bilhão em fluxo de caixa livre neste ano, de acordo com a estimativa média entre analistas acompanhados pela Bloomberg. Este seria o nível mais alto desde o pico do superciclo de 2011.

--Com a colaboração de Laura Millan Lombrana.

Repórteres da matéria original: James Attwood em Santiago, jattwood3@bloomberg.net;John Quigley em Lima, jquigley8@bloomberg.net

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