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GM e Waymo precisam de aliados na corrida dos carros autônomos

David Welch e Mark Bergen

01/06/2018 16h04

(Bloomberg) -- Uma fabricante de carros como a General Motors conta com duas vantagens no desenvolvimento de veículos elétricos: conhecimento sobre a fabricação de carros e fábricas para fazê-los. Os maiores nomes do Vale do Silício no campo de veículos autônomos, em particular a Alphabet, têm legiões de programadores e montanhas de dinheiro. Agora, a GM e a Alphabet encontraram um terceiro para cuidar daqueles aspectos deste empreendimento histórico que as empresas estão menos aptas para resolver por conta própria.

As fabricantes de carros detestam arriscar bilhões de dólares a mais do que já comprometem para concorrer em um setor com margens baixas, por isso a SoftBank interveio na quinta-feira e colocou US$ 2,25 bilhões na Cruise Automation, unidade da GM. O dinheiro ajudará a financiar o lançamento de uma divisão de transporte particular sem motorista no ano que vem. A companhia controladora do Google não administra fábricas, então a gigante da tecnologia decidiu na quinta-feira comprar dezenas de milhares de minivans fabricadas pela Fiat Chrysler. Os veículos serão equipados com sistemas autônomos projetados pela Waymo, unidade da Alphabet.

"Ambas precisam investir nessas tecnologias, mas levarão anos para obter retornos", disse Eric Noble, presidente da CarLab, empresa de consultoria em Orange, Califórnia. "Agora a Waymo não precisa fabricar seus próprios carros, e a GM pode gastar US$ 2 bilhões em veículos que geram dinheiro."

A SoftBank Vision Fund resolveu comprar quase 20 por cento da GM Cruise Holdings, e a decisão representa um grande sucesso para a fabricante de carros com sede em Detroit. A companhia se retirou de grandes mercados automotivos, como Europa, Rússia e Índia, porque o dinheiro gasto em novos modelos nesses lugares dava retornos baixos ou prejuízos.

Atualmente, os carros autônomos custam uma fortuna e não geram receita, e Mary Barra, CEO da GM, não quer investir em nada que não cumpra sua meta de 10 por cento para as margens operacionais. O dinheiro não preocupa tanto a Waymo e sua controladora, que tem mais de US$ 100 bilhões em caixa.

A GM já estava gastando US$ 1 bilhão por ano para financiar a Cruise e, como parte do acordo com o SoftBank, investirá mais US$ 1,1 bilhão. Conseguir com quem dividir o fardo ajuda muito, e o enorme investidor em tecnologia também tem participações em duas gigantes do transporte particular, Uber e Didi, o que abre a possibilidade de fazer novas alianças.

O SoftBank entrou em contato com a fabricante de veículos e fez uma pesquisa tecnológica exaustiva antes de redigir um acordo, disse uma pessoa a par do assunto. Embora a GM não necessariamente precise do dinheiro, os executivos da empresa concluíram que convocar o SoftBank representaria um grande apoio no mundo da tecnologia. Além de financiar uma série de startups de transporte particular, o SoftBank também investiu em duas fabricantes de chips que abastecem muitas iniciativas de autonomia: a Nvidia e a ARM Holdings.

"O SoftBank valida o que a Cruise tem feito", disse Grayson Brulte, cofundador da Brulte & Co., empresa de consultoria especializada em estratégia de autonomia. Isso é importante, acrescentou ele, porque no Vale do Silício há quem considere que as antigas empresas industriais são dinossauros dirigidos por engenheiros cautelosos, não por empreendedores.

Enquanto a GM recebeu bilhões de dólares, a Waymo buscou conseguir mais carros. O novo acordo com a Fiat poderia acabar deixando a frota atual de minivans Chrysler Pacifica da Waymo cem vezes maior. Os novos veículos serão a espinha dorsal de um serviço de transporte particular sem motorista, cuja estreia está agendada para este ano.

Ainda restam dúvidas sobre o cronograma de expansão. Segundo um comunicado publicado na quinta-feira, a Waymo poderia chegar a comprar 62.000 veículos, mas não se sabe quando. Com uma frota desse tamanho, seria possível oferecer um serviço de transporte particular de grande escala em dois ou três mercados, segundo um membro do setor.

John Krafcik, o CEO da Waymo, gosta de repetir uma frase: "Não estamos produzindo carros; estamos produzindo motoristas melhores". O slogan é usado para vender o pacote de software e sensores da Waymo, que muitos especialistas consideram o melhor de sua classe. Também é uma mensagem específica para o setor automotivo - uma forma de acalmar o receio de que a Alphabet, a terceira maior empresa do mundo, pretenda fabricar seus próprios veículos.

Com isso, a Waymo terá que criar uma frota para sua empresa de veículos futuristas sem motorista usando modelos de veículos já existentes, como o Chrysler Pacifica e o Jaguar I-Pace. Pelo menos por enquanto, a Waymo incorpora seu software a carros projetados tendo em mente motores a gasolina e um motorista. A GM usa uma versão modificada de seu próprio Chevrolet Bolt, um carro elétrico que conta com mais energia para suprir a grande exigência do sistema de computação. A versão usada pela Cruise nos testes de rua atuais é um carro de terceira geração cujos pedais e volante acabarão sendo removidos.

De certa forma, a tática da Waymo de encontrar parceiros para fabricar seus carros se encaixa no molde clássico de sua matriz: controlar a valiosa inteligência artificial e os dados que passam pelos carros autônomos sem fabricar o hardware. Contudo, isso poderia mudar porque recentemente partes do império da Alphabet têm começado a criar mais hardware - os próprios dispositivos e chips de computação em nuvem do Google, bem como os sensores da Waymo - a fim de exercer mais controle sobre o produto.

Para a GM, por outro lado, buscar um parceiro endinheirado condiz com sua prática tradicional de não arriscar bilhões de dólares em lucros que demorarão anos para chegar. As duas líderes do campo de carros autônomos estão se atendo ao que já dominam e conseguindo ajuda de outros.

"É impossível se virar sozinho no campo da autonomia", disse Brulte. "É caro demais e poucos participantes sequer têm a capacidade."

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