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Rivais Boeing e Airbus travam nova batalha na Índia

Benjamin D. Katz e Anurag Kotoky

04/06/2018 11h35

(Bloomberg) -- Esforços da Boeing para minar as vendas do mais novo avião de fuselagem da Airbus - o A330neo - foram além das fronteiras dos EUA e chegaram à Índia, um mercado visto pela fabricante de aviões europeia como fundamental para estender as vendas do avião para a Ásia.

No mais recente revés da fabricante com sede em Toulouse, na França, a afiliada indiana da Singapore Airlines optou pelo 787, disseram pessoas a par do assunto, ignorando o modelo da Airbus, que juntamente com o A350 maior foi projetado para concorrer com o Dreamliner. Isso ocorre após decisões similares da American Airlines e da Hawaiian Holdings, que cancelaram encomendas de jatos Airbus e, no lugar, escolheram o 787.

A cruzada da empresa americana, apoiada por preços agressivos e pelos cortes de impostos promovidos pelo presidente dos EUA, Donald Trump, já mostra resultados. Em abril, a Airbus anunciou que reduzirá a produção da família A330 em meio à transição para o modelo mais novo, em parte devido às vendas abaixo do esperado, com planos de entregar apenas 50 jatos do tipo por ano a partir do ano que vem, contra 67 em 2017. O jato, que tem novos motores da Rolls-Royce, é uma versão atualizada do avião de fuselagem larga A330 existente.

"A Boeing não está facilitando a nossa vida", disse Eric Schulz, diretor comercial da Airbus, em entrevista, no domingo, em Sidney. "E posso te dizer que nós estamos fazendo o mesmo."

O CEO da Airbus, Tom Enders, disse em abril que a equipe de vendas da Boeing é a mais "agressiva" em 20 anos.

Encomenda indiana

A empresa aérea indiana Vistara deverá fazer uma encomenda de seis aviões 787, com opção de comprar mais quatro, disseram as pessoas no fim de semana, pedindo para não serem identificadas porque a informação não é pública. O modelo mais caro do Dreamliner tem um preço de tabela de US$ 325,8 milhões, o que leva o valor da encomenda da aérea indiana a US$ 3,3 bilhões incluindo opções. A Airbus está mais avançada com a Vistara em termos de aeronaves de fuselagem estreita. A fabricante de aviões é a favorita para uma encomenda de até 60 aviões com motores novos e corredor único que garantiriam uma presença mais forte na Índia.

No caso da Boeing, o esforço surge em um momento em que a empresa busca uma nova aeronave para a parte intermediária do mercado para fazer frente ao A330neo. Isso também aumenta a pressão sobre a equipe de vendas da Airbus em um momento em que Schulz, que assumiu o lugar do veterano John Leahy em fevereiro, se consolida no cargo.

A Hawaiian Air anunciou em março que cancelaria o contrato para a versão menor do modelo da Airbus, que agora não tem encomendas, e escolheria aviões da Boeing. A American Airlines mudou de lado em abril e encomendou 47 aviões Dreamliner em um negócio de US$ 12,3 bilhões pelos preços de tabela.

--Com a colaboração de Kyunghee Park.

Repórteres da matéria original: Benjamin D. Katz em London, bkatz38@bloomberg.net;Anurag Kotoky em Nova Delhi, akotoky@bloomberg.net

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