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Não está preparado para a aposentadoria? Não se aposente

Peter Coy

05/06/2018 13h47

(Bloomberg) -- Muita gente no mundo não está preparada para a aposentadoria, como explicou recentemente minha colega Suzanne Woolley, da Bloomberg News. Existe uma solução óbvia para o problema: adiar a aposentadoria.

Um estudo acadêmico recente intitulado "The Power of Working Longer" ("O poder de trabalhar por mais tempo"), citado pelo New York Times, concluiu que, trabalhando apenas três a seis meses mais, o americano pode conseguir um aumento da renda na aposentadoria similar ao de ampliar as economias em 1 por cento ao ano nos últimos 30 anos de carreira.

O positivo é que trabalhar por mais tempo é uma opção real, porque os idosos já não são tão idosos quanto antigamente. (É claro que existem exceções: nem todos podem trabalhar aos 65, 70 ou 75 anos; nos EUA, a idade de aposentadoria plena é de 67 anos para pessoas nascidas de 1960 para cá).

Segundo as tabelas de mortalidade da Administração de Seguridade Social dos EUA, um homem americano que fez 65 anos em 2014 (dados mais recentes disponíveis) não apresentava um risco maior de morrer no ano seguinte do que outros que fizeram 60 anos em 1990, 55 anos em 1957 ou 50 anos em 1900. Entre as mulheres, a mortalidade aos 65 anos em 2014 era equivalente à dos 60 anos em 1989, dos 55 anos em 1949 e dos 50 anos em 1937. As tendências são semelhantes no Japão, no Reino Unido e em outros países.

O modo padrão de calcular o peso do idoso na sociedade é chamado de razão de dependência da velhice. É simplesmente o número de pessoas com 65 anos ou mais dividido pelo número de pessoas em "idade ativa", definição dada a quem tem 15 a 64 anos.

Mas essa proporção é enganosa e excessivamente desestimulante porque não leva em conta a diminuição das taxas de mortalidade em idades mais avançadas, diz Andrew Scott, economista da London Business School e coautor de "The 100-Year Life: Living and Working in an Age of Longevity" ("A vida aos 100 anos: vivendo e trabalhando na era da longevidade"). Os idosos atuais têm uma probabilidade menor de morrer -- e, portanto, presume-se que sejam mais saudáveis e mais capazes de continuar trabalhando -- do que as gerações passadas, escreveu Scott em artigo recente para a Project Syndicate chamado "The Myth of the 'Aging Society'" ("O mito do 'envelhecimento da sociedade'").

Outra forma de colocar a questão é dizer que uma pessoa de 65 anos cronológicos tem apenas, digamos, 60 anos biológicos (ou qualquer outra idade -- depende do ano, no passado, que se usa como base de comparação). Ao ajustar a taxa de dependência pelas reduções na mortalidade, Scott tira algumas pessoas de 65 anos ou mais da parte superior da proporção (em que presumivelmente são velhas demais para trabalhar) e as coloca na parte inferior da proporção (em que estão trabalhando ou pelo menos têm capacidade de trabalhar).

Scott reconhece que as taxas de mortalidade são apenas uma aproximação da capacidade de se trabalhar na velhice, já que a pessoa pode estar viva mas não saudável. Um indicador melhor para o ajuste seria a taxa de morbidade, que é a taxa de doença ou incapacidade. Mas Scott afirma que não há uma ampla disponibilidade de dados sobre as taxas de morbidade -- e, além disso, segundo ele, as taxas de mortalidade tendem a acompanhar bem de perto as taxas de morbidade.

A elevação da idade de aposentadoria realmente gera problemas de justiça. Pessoas com empregos que exigem mais do físico são muitas vezes as que têm menos saúde. Ou seja, trabalhar mais tempo pode ser fácil para um advogado tributário, mas representar um grande desafio para trabalhadores portuários e podadores de árvores.

Scott admite que a preocupação é válida: "Algumas pessoas estão aptas, outras não". Mas diz que os ajustes pela mortalidade são pelo menos um começo. "O que realmente precisamos é de uma medida adequada do envelhecimento, que não é a cronológica. Só crianças e governos se importam com a idade cronológica."

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