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Oriente Médio aposta no desenvolvimento do setor petroquímico

Mohammed Aly Sergie

05/06/2018 18h40

(Bloomberg) -- Eles são os componentes básicos das coisas que usamos cotidianamente, dos calçados esportivos aos teclados de computador, e são criados quando moléculas de petróleo e de gás natural se dividem, ou se quebram, para produzir etileno, propileno e outros produtos químicos.

Talvez nem todos compreendam os princípios científicos, mas os petroquímicos são um grande negócio no Golfo Pérsico, rico em petróleo, e estão destinados a continuar crescendo. Cada vez mais, os produtores de energia consideram que esses compostos são a chave para obter mais lucro de cada barril de petróleo bruto que extraem.

No mês passado, Abu Dhabi e Catar anunciaram planos para novas fábricas. Em abril, a Saudi Arabian Oil Co., maior exportadora de petróleo do mundo, também conhecida como Saudi Aramco, associou-se à Total para estabelecer uma instalação de US$ 5 bilhões no reino e manifestou a intenção de investir nos EUA. Produtores de petróleo árabes no Golfo estão aumentando a capacidade doméstica e no exterior para garantir vendas em um negócio que, segundo estimativa da McKinsey and Co., impulsionará 70 por cento do crescimento da demanda por petróleo até 2035.

Os produtores de petróleo podem ganhar US$ 15 por barril refinando sua produção e mais US$ 30 convertendo-a em petroquímicos, com o petróleo a US$ 65 por barril, segundo Abdulwahab Al Sadoun, secretário-geral da Associação Química e Petroquímica do Golfo (GPCA, na sigla em inglês). Estes aspectos econômicos fazem com que uma expansão maior no setor seja "altamente provável por parte de todos os atores regionais".

A demanda por petroquímicos está crescendo mais rápido do que o consumo dos combustíveis usados por carros, navios e aviões. Em maio, a Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu sua previsão de 2018 para o crescimento da demanda global de petróleo para 1,5 por cento, afirmando que os preços mais altos em três anos estão freando o uso do petróleo. Além disso, a crescente popularidade dos veículos elétricos está abalando a demanda por gasolina. A Exxon Mobil e a Royal Dutch Shell são algumas das grandes companhias de petróleo que estão dando prioridade aos petroquímicos como um negócio de crescimento alto.

O setor já contribui com cerca de US$ 100 bilhões por ano em vendas anuais para as economias combinadas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), de seis países, segundo a GPCA. O grupo comercial com sede em Dubai tem mais de 250 membros que produzem petroquímicos em todo o Golfo Pérsico.

A Saudi Basic Industries Corp., ou Sabic, como a fabricante de produtos petroquímicos é conhecida, é a empresa de capital aberto mais valiosa do Oriente Médio. As 20 maiores empresas petroquímicas listadas na região respondem por quase um quinto do valor total das ações negociadas em Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Catar, Kuwait e Bahrein, países que compõem o CCG.

As empresas químicas não geram as mesmas margens de lucro que a produção de petróleo no CCG e estão competindo em um mercado lotado. Mesmo assim, a demanda por produtos petroquímicos está crescendo mais rapidamente do que a demanda por petróleo, e os países do Golfo pretendem diversificar suas economias para além da extração de petróleo bruto. Ambas as coisas indicam que a expansão vai continuar.

--Com a colaboração de Filipe Pacheco.

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