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Medo da inflação traz subsídios para combustíveis na Ásia

Michelle Jamrisko

06/06/2018 13h53

(Bloomberg) -- A inflação causada pelo petróleo pode subir ainda mais e governos do Sudeste Asiático decidiram ajudar os consumidores.

Lançando mão de subsídios a combustíveis e incentivos fiscais, as autoridades estão explorando maneiras de conter a alta de preços - temendo que a população corte gastos ou expresse revolta nas urnas. Bancos centrais da Malásia, Indonésia e Filipinas já subiram juros neste ano para combater a inflação e estabilizar suas taxas de câmbio, diante do aperto monetário nos EUA.

Tailândia e Indonésia realizarão eleições em breve e o novo governo na Malásia tenta angariar apoio. Vietnã e Filipinas também tomaram medidas para controlar a inflação em diversos setores.

"O preço do petróleo está 50 por cento maior do que um ano atrás e, em muitos países da região, os núcleos de inflação estão subindo", disse a economista Tamara Henderson, integrante da equipe Bloomberg Economics em Cingapura. "O consumo pode ser prejudicado em 2018 pela diminuição do poder de compra, embora as medidas governamentais de suporte à renda disponível possam conter o estrago."

Seguem abaixo o que países do Sudeste Asiático estão fazendo para segurar os preços:

Indonésia

O governo anunciou congelamento dos preços de eletricidade e combustíveis até o fim do ano e pretende regular outros preços. Até o momento, a inflação tem sido limitada, porém os riscos estão se intensificando, especialmente por causa do aumento dos preços dos alimentos e da depreciação cambial.

Além da inflação, o crescente déficit em conta corrente e o fato de o país importar petróleo tornam a Indonésia particularmente sensível à valorização do barril. O banco central subiu os juros duas vezes em maio para sustentar a moeda, que acumula queda de 2,2 por cento em relação ao dólar neste ano.

Malásia

A reintrodução de subsídios aos combustíveis foi uma das principais promessas da campanha do recém-eleito primeiro-ministro Mahathir Mohamad.

Uma das poucas nações que exportam energia na região, a Malásia sofre menos pressão com a alta do petróleo. Sua moeda também tem desempenho melhor, com ganho de 1,9 por cento em relação ao dólar neste ano.

Filipinas

No maior nível em cinco anos, a inflação nas Filipinas é também a mais alta entre as seis maiores economias do Sudeste Asiático. O preço do petróleo ameaça uma economia que importa praticamente todo o combustível que consome. Os sinais de aceleração dos preços estão por toda parte: sindicatos exigem reajustes salariais e empresas de ônibus e companhias aéreas tentam elevar os preços das passagens.

Criticado pela lentidão no aperto monetário, o banco central subiu os juros no mês passado pela primeira vez em quatro anos e pode anunciar mais acréscimos em 2018 à medida que a moeda local se deprecia.

Tailândia

Embora a inflação na Tailândia esteja baixa na comparação com a vizinhança, o governo sofre pressão popular. Mais recentemente, uma campanha nas redes sociais contribuiu para o anúncio de subsídios ao diesel e gás de cozinha. A pressão tende a aumentar com a proximidade das eleições ? tão adiadas e agora esperadas para 2019.

O banco central tem evitado subir os juros, mas a substancial correlação entre a cotação do petróleo no mercado internacional e a inflação local indica que a autoridade monetária pode anunciar em breve o primeiro acréscimo nos juros desde 2011.

Vietnã

O país tomou diversas providências de combate à inflação, que encostou no teto do intervalo ao redor da meta. O governo está usando dinheiro do fundo de estabilização do preço do petróleo para segurar os preços dos combustíveis. O primeiro-ministro Nguyen Xuan Phuc também determinou que as tarifas de eletricidade não subam neste ano e anunciou descontos em serviços médicos a partir de julho.

--Com a colaboração de Nguyen Dieu Tu Uyen, Thomas Kutty Abraham, Suttinee Yuvejwattana, Yudith Ho e Matt Turner.

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