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Para aéreas, falta de pistas é pesadelo pior do que combustível

Angus Whitley, Kyunghee Park e Benjamin D. Katz

(Bloomberg) -- Coitadas das empresas aéreas: os preços do combustível estão subindo, os pilotos estão em falta e as disputas políticas ameaçam o comércio global. E o pior ainda pode estar por vir.

Como estima-se que o número de passageiros quase dobrará para 7,8 bilhões até 2036, pistas, aeroportos e até mesmo espaços aéreos poderiam rapidamente ficar saturados. Na Ásia, que contribuirá com mais da metade dos passageiros extras, muitos terminais já estão prestes a ficar totalmente lotados.

"A infraestrutura é uma ameaça maior para o crescimento das empresas aéreas do que o preço do petróleo", disse o CEO da Qatar Airways, Akbar Al Baker, em entrevista à Bloomberg Television na terça-feira. "Hoje há um déficit de capacidade de mais de um bilhão de passageiros em todo o mundo."

Estão em jogo os US$ 2,7 trilhões que a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) estima que o setor contribui para a economia global a cada ano e também os planos de expansão de fabricantes de aviões como a Airbus e a Boeing e de grandes empresas aéreas, da British Airways à Emirates, com sede em Dubai, e à Cathay Pacific Airways, de Hong Kong.

"Não são só as pistas, também são as áreas de taxiamento, os espaços para estacionamento", disse Rico Merkert, professor de transporte e gestão da rede de abastecimento na faculdade de administração da Universidade de Sidney. "Em algumas regiões, as economias desacelerarão por não terem capacidade suficiente."

Problemas na Ásia

Na Ásia, oito dos 11 maiores aeroportos já estão trabalhando com capacidade máxima, disse a Asian Sky Group em seu relatório sobre infraestrutura de 2017. Dos 1.017 aeroportos em toda a região, o de Hong Kong enfrenta os problemas mais severos e, nos próximos dois anos, os de Pequim, Manila e Cingapura também atingirão seus limites, prevê o estudo.

"Os aeroportos estão tão congestionados atualmente que não têm slots disponíveis", disse o presidente da Emirates, Tim Clark, em entrevista. "Então, se você quiser ir para Nova York, Los Angeles, Hong Kong ou qualquer outro lugar, não há slots."

Os líderes das companhias áreas do mundo que se reuniram nesta semana em Sidney para o encontro anual da IATA ressaltaram o chamado déficit de infraestrutura como um grande freio à expansão das aéreas e, em última análise, ao turismo e ao comércio mundial.

"Precisamos desesperadamente ter a infraestrutura adequada", disse Alexandre de Juniac, o CEO da associação do setor, em entrevista. "Em todo o mundo há um problema de infraestrutura que consideramos que não está sendo abordado adequadamente."

--Com a colaboração de Abigail Wen Yi Ng.

Repórteres da matéria original: Angus Whitley em Sidnei, awhitley1@bloomberg.net;Kyunghee Park em Cingapura, kpark3@bloomberg.net;Benjamin D. Katz em London, bkatz38@bloomberg.net

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