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Remuneração de executivos do Google pode depender da diversidade

Alicia Ritcey e Alistair Barr

(Bloomberg) -- Os funcionários do Google, que pertence à Alphabet, estão se unindo a investidores na tentativa de vincular o pagamento dos executivos a progressos na diversidade do local de trabalho.

Um funcionário da gigante das buscas na web apresentará uma proposta na reunião anual de acionistas, realizada nesta quarta-feira, em Mountain View, Califórnia, de acordo com a Zevin Asset Management, que apresentou a medida. Eles pedem que a Alphabet considere nos planos de incentivo métricas com foco na diversidade e na inclusão da força de trabalho.

Internamente, aumentaram as críticas de que os executivos não estão fazendo o suficiente para enfrentar o assédio no ambiente de trabalho, disse Liz Fong-Jones, engenheira que apoiou uma petição para criar políticas e procedimentos melhores. Essas preocupações vieram à tona depois que outro engenheiro, James Damore, escreveu um memorando de 3.000 palavras atacando as políticas de ação afirmativa da empresa e insinuando que as mulheres são biologicamente menos qualificadas que os homens para empregos técnicos. Ele foi demitido e processou a Alphabet por rescisão injusta. Em outro processo no ano passado, a empresa foi acusada de pagar menos às mulheres do que a seus colegas do sexo masculino.

"Os executivos podem ser motivados pelo dinheiro", disse Fong-Jones. "É necessário que os acionistas deem um sinal claro de que valorizam a inclusão."

Queixas de funcionários

Normalmente, os investidores da Alphabet que participam das assembleias de acionistas levam propostas sobre uma série de questões, da remuneração ao ambientalismo e às posições políticas da empresa. Os executivos os ouvem e depois votam contra as propostas, o que mostra que a empresa continua sendo controlada por seus fundadores.

Neste ano, no entanto, os executivos estão mais sintonizados com as queixas - especialmente com as queixas dos funcionários. Na semana passada, a equipe anunciou que se retiraria de um acordo com o Pentágono após protestos internos. O CEO do Google, Sundar Pichai, está preparando uma carta ética para suas unidades de inteligência artificial nesta semana, em parte para aplacar as preocupações de sua equipe.

Ainda assim, a proposta da Zevin tem poucas chances de ser aprovada, já que os bilionários cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, têm mais da metade do poder de voto. Opondo-se ao plano, a empresa afirmou em um comunicado que não "aumentará o compromisso existente da Alphabet com a sustentabilidade corporativa", observando que Page recebe um salário de apenas US$ 1. Uma porta-voz disse que a empresa não tinha mais comentários além do comunicado.

Os outros principais executivos da Alphabet recebem salários, benefícios e participam dos planos de incentivo da empresa. Nos últimos três anos, Pichai e a diretora financeira, Ruth Porat, receberam um pagamento de US$ 302 milhões e US$ 70,8 milhões, respectivamente, em grande parte na forma de ações corporativas, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Esses prêmios não incluem métricas de desempenho.

Embora as empresas de tecnologia não sejam líderes nessa área, algumas estão mais comprometidas do que outras. A Microsoft tem cerca de 17 por cento dos bônus anuais vinculados a metas de liderança de cultura e organização, que incluem o fomento da diversidade. Os bônus anuais em dinheiro da Intel estão vinculados em parte às metas de contratação e retenção baseadas na diversidade. E a Qualcomm e a International Business Machines mencionam considerações de inclusão em suas avaliações qualitativas da remuneração de seus executivos.

--Com a colaboração de Mark Bergen.

Repórteres da matéria original: Alicia Ritcey em Nova York, aritcey@bloomberg.net;Alistair Barr em San Francisco, abarr18@bloomberg.net

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