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Airbnb congela anúncios no Japão por leis mais rigorosas

Pavel Alpeyev e Yuki Furukawa

07/06/2018 12h41

(Bloomberg) -- O Airbnb congelou a maior parte dos anúncios de residências e das reservas dos hóspedes no Japão por ordem dos órgãos reguladores locais, mas prometeu compensar os viajantes abandonados bem no auge da temporada turística do verão japonês.

A startup avisou os anfitriões que excluiriam aqueles que não tivessem se cadastrado nas agências locais para receber licença, conforme exigido pelas novas e rigorosas regras que regem o setor de compartilhamento de residências, que entrará em vigor em 15 de junho. Mas o órgão de turismo do Japão notificou os serviços de compartilhamento de residências em 1º de junho que eles precisariam cancelar as reservas feitas para os anúncios não registrados -- duas semanas antes do prazo final. A decisão surpreendeu o Airbnb, que planeja começar a notificar milhares de visitantes sobre os cancelamentos, disse Mike Orgill, diretor de políticas públicas da empresa para a região Ásia-Pacífico.

O Airbnb criou um fundo de US$ 10 milhões para cobrir as despesas adicionais dos hóspedes afetados e pretende oferecer reembolsos completos e cupons no valor das reservas deles. Além disso, a companhia desativou todos os anúncios japoneses que não haviam concluído o cadastro no governo, disse Orgill, que preferiu não dar detalhes. O jornal Nikkei noticiou que os anúncios de todo o país haviam caído quase 80 por cento, para apenas 13.800.

O Airbnb havia comemorado a regulamentação, que legitimou o compartilhamento de residências no Japão, um dos mercados de mais rápido crescimento da empresa. Criadas para trazer clareza para uma área jurídica indefinida e para equilibrar o mercado para os hotéis, as regras limitam a estadia em residências particulares a 180 noites e exigem que os anfitriões se cadastrem perante os governos locais. Mas as autoridades locais aplicaram ainda mais restrições e aumentaram as dificuldades para os anfitriões que buscavam operar legitimamente. O distrito de Shinjuku, na região central de Tóquio, por exemplo, proíbe alojamentos em áreas residenciais durante a semana, e a cidade de Kyoto limita a permanência em lugares do tipo a cerca de 60 dias entre janeiro e março para os anfitriões que não tiverem uma licença especial.

"Sempre soubemos que o número cairia e que isso nos prepararia para um crescimento sustentável a longo prazo", disse Orgill, em entrevista, em Tóquio.

Nos últimos meses, os anfitriões do Japão receberam e-mails do Airbnb solicitando que se cadastrassem perante as autoridades locais. A empresa inclusive criou um website para orientar os usuários durante o processo. Aqueles que não conseguirem aprovação serão removidos assim que a nova lei entrar em vigor, em 15 de junho, alertou a empresa.

Avaliado em US$ 29 bilhões pela CB Insights, o Airbnb conta com o Japão e a China para turbinar seu crescimento a longo prazo na região. A startup está cortejando aqueles que viajam para estes países ou dentro deles com excursões e serviços locais, e também explora novas áreas, como o turismo de luxo e as passagens aéreas.

Repórteres da matéria original: Pavel Alpeyev em Tóquio, palpeyev@bloomberg.net;Yuki Furukawa em Tóquio, yfurukawa13@bloomberg.net

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