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Messi é envolvido na política do Oriente Médio antes da Copa

David Wainer e Fadwa Hodali

07/06/2018 11h18

(Bloomberg) -- Lionel Messi foi envolvido em um dos conflitos mais antigos do Oriente Médio.

A Argentina cancelou um amistoso de preparação para a Copa do Mundo contra a seleção de Israel, citando "ameaças e provocações" não especificadas contra uma das estrelas do torneio, informou a Embaixada de Israel em Buenos Aires, na quarta-feira. Messi e seus companheiros de equipe eram pressionados pelos palestinos e seus partidários a não jogarem devido ao conflito de Israel com os palestinos. Jibril Rajoub, presidente da Associação de Futebol da Palestina, exortou os torcedores a queimarem camisas de Messi e manifestantes se reuniram do lado de fora do campo de treinamento da Argentina vestindo camisetas vermelhas cobertas com tinta vermelha para parecerem manchas de sangue.

"O jogo foi cancelado por um único motivo -- ameaças à vida da estrela Messi", disse a ministra dos Esportes de Israel, Miri Regev, em entrevista coletiva, na quarta-feira, mostrando fotos de cartazes ameaçadores que, segundo ela, foram enviados aos jogadores e ao treinador da Argentina. "Esta é uma nova antiga forma de terrorismo que assusta, intimida e aterroriza atletas."

Semanas após a controversa mudança da Embaixada dos EUA para Jerusalém, os líderes israelenses viam essa destacada partida como mais uma oportunidade de reivindicar a cidade, cujo setor oriental é desejado pelos palestinos como capital de um futuro Estado. Regev transferiu o jogo para Jerusalém -- para um estádio na parte oeste da cidade -- depois que a partida foi inicialmente programada para ocorrer em Haifa.

Os palestinos e seus simpatizantes elogiaram a seleção argentina por se tornar a mais recente de uma série de figuras culturais a reconsiderar visitas a Israel por motivos políticos. Por mais de uma década, eles lideraram uma campanha internacional para boicotar Israel como forma de pressionar o Estado judeu a mudar suas políticas em relação aos palestinos.

"Damos boas-vindas à decisão da seleção argentina de cancelar este jogo 'amistoso'", disse Omar Barghouti, da Campanha Palestina pelo Boicote Acadêmico e Cultural de Israel. "A partida teria sido extremamente hostil para os direitos humanos."

O secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina, Saeb Erekat, agradeceu à "Argentina e ao seu corajoso povo, bem como à sua destacada seleção de futebol, por decidir seguir os princípios do direito internacional".

Alon Liel, ex-diretor-geral do Ministério de Relações Exteriores de Israel, classificou a briga como resultado da mudança da embaixada. A realocação foi um dos vários acontecimentos, entre os quais a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irã, que fortaleceram Netanyahu internamente. A transferência da embaixada ocorreu em um dia em que tropas israelenses mataram mais de 60 palestinos que protestavam na Faixa de Gaza; pelo menos 120 palestinos foram mortos desde o início dos protestos contra a mudança, em março.

"Netanyahu vem fazendo um truque de mágica após o outro nos últimos meses", disse Liel. "Isso mostra que até Houdini falha algumas vezes. Uma partida disputada por Messi em Jerusalém teria sido uma grande vitória. Agora isso se transformou em uma megaderrota diplomática."

Repórteres da matéria original: David Wainer em Telavive, dwainer3@bloomberg.net;Fadwa Hodali em Ramallah, fhodali@bloomberg.net

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