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Presidente da Occam vê limites para intervenção no câmbio

Cristiane Lucchesi e Peter Millard

(Bloomberg) -- "Não seria absurdo" o dólar subir para R$ 4 se a percepção de risco continuar a deteriorar com a aproximação das eleições presidenciais, e a intervenção do Banco Central nos mercados de câmbio tem limites, disse Carlos Eduardo Rocha, da gestora Occam, do Rio de Janeiro.

O dólar voltou a subir nesta quarta-feira, para fechar em R$ 3,85, mesmo depois que o BC aumentou drasticamente em 4 de junho a oferta de swaps cambiais. Mas o aumento da intervenção no mercado de câmbio deixaria o governo em um dilema, e os investidores logo começariam a especular quando as taxas de juros seriam elevadas para sustentar o real, disse Rocha.

"Se as intervenções na moeda aumentarem, acabamos caindo em uma armadilha. Não sou totalmente contra isso, mas acho que há um limite", disse Rocha, ex-diretor da Brasil Plural e um dos fundadores da recém-nascida Occam, no evento Buy Side Rio da Bloomberg na terça-feira. Ele disse que a inflação para o ano que vem parece estar sob controle, mas um dólar mais alto poderia aumentar a pressão sobre os preços.

"Infelizmente, existe a percepção dos brasileiros de que um real ainda mais fraco em um cenário pré-eleitoral é possível, e essas pessoas buscam proteção a qualquer preço", disse ele, acrescentando que os investidores internacionais também estão deixando os mercados emergentes para aproveitar o aumento dos rendimentos dos títulos nos EUA.

A perspectiva do Brasil é ainda mais incerta depois que a greve nacional de caminhoneiros minou a recuperação econômica do país e inclinou o debate político em uma direção mais populista, disse Rocha. Nesse ambiente, a Occam favorece as ações brasileiras de empresas menos dependentes da economia doméstica e que têm acesso a mercados externos, como a Vale e a Fibria Celulose.

A Brasil Plural criou a Occam, uma empresa separada onde o time de gestão de recursos começa com uma participação de 51%, para melhorar o foco e a segregação com relação ao banco de investimento.

O mercado ficaria "com um grande receio" se Jair Bolsonaro, um conservador, e Ciro Gomes, que adotou visões econômicas pouco ortodoxas na campanha, acabarem como os dois candidatos competindo em um segundo turno eleitoral, acrescentou. "A greve antecipou muito os riscos populistas das eleições e os candidatos que mais se beneficiaram com isso foram os menos ligados ao centro", disse Rocha.

A Occam está se concentrando em empresas brasileiras que crescem mais de 10% ao ano e têm acesso suficiente aos mercados estrangeiros para suportar as incertezas domésticas em andamento. "Empresas mais focadas nos mercados externos do que no mercado interno têm mais previsibilidade agora", afirmou Rocha. "Você tem um super ciclo em commodities, em papel e celulose, então achamos que existe valor nesse super ciclo."

Os principais pontos fortes da Vale são a melhoria da eficiência e da disciplina de capital, e a Occam também considera os preços do minério de ferro um pouco deprimidos diante das fortes perspectivas de crescimento na China, seu principal mercado. A Gerdau também é atraente porque está exposta ao mercado norte-americano e tem margens saudáveis ??após reestruturar recentemente suas operações.

O Itaú Unibanco é outra escolha, pois pode crescer mais de 10% e tem mais diversificação internacional do que outros bancos brasileiros. Entre os fabricantes de papel e celulose, a Occam prefere a Fibria, que negocia com desconto em relação à Suzano Papel e Celulose e cairia menos se o acordo de fusão entre os duas se desfizesse por causa das autoridades antitruste da Europa.

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