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Recuperação de emergentes não parece imediata, conclui pesquisa

Srinivasan Sivabalan, Yumi Teso e Lilian Karunungan

07/06/2018 12h54

(Bloomberg) -- Os fundamentos podem ser os melhores amigos dos mercados emergentes. No momento, o sentimento dos investidores é seu grande inimigo.

O Brasil é um exemplo. O Banco Central tenta conter a desvalorização do real após a greve dos caminhoneiros e faltando ainda meses para as eleições.

A Turquia também realizará eleições e, após a acentuada depreciação da lira, as autoridades surpreenderam ao anunciar o segundo acréscimo nos juros em duas semanas.

Cautela é a postura mais frequente de analistas e gestores de recursos a quem perguntamos se os ativos emergentes já bateram no fundo do poço. Seis dos 11 profissionais entrevistados entre 29 de maio e 6 de junho responderam que ativos de países emergentes ? especialmente moedas e títulos de dívida ? vão sofrer perdas adicionais à medida que a menor oferta de capital e a força do dólar diminuem a atratividade dos ativos de risco. Mesmo quem espera recuperação se preocupa com a escalada dos conflitos comerciais ou questões geopolíticas.

"Os preços dos ativos de países emergentes ainda estão inadequados e precisam de ajuste adicional para refletirem o ambiente de alta de juros nos EUA", disse Win Thin, estrategista-chefe global para mercados emergentes da Brown Brothers Harriman. "É provável que os juros nos EUA voltem a subir, ajudando na continuação da valorização ampla do dólar."

Selecionamos abaixo comentários de outros entrevistados:

Jean-Louis Nakamura, diretor de investimentos para Ásia-Pacífico da Lombard Odier, em Hong Kong:* "Antes da crise na Itália, minha opinião pessoal era que o fundo do poço não estava longe. Agora foi reintroduzida uma nova fonte potencial de risco extremo ou sistêmico. Qualquer abalo nos ativos emergentes seria parte de possíveis episódios de queda disseminada nos preços de ativos de risco devido à crise na Europa. Não seria mais um choque específico aos emergentes, como vimos em abril e maio."

William Hobbs, estrategista-chefe de investimentos da divisão de gestão de fortunas do Barclays, em Londres:* "Há evidências de que o consumidor americano começou a gastar um pouco do que economizou com o corte de impostos. Esta é uma das principais fontes de demanda para os países emergentes. Eu diria que o comércio internacional vai relativamente bem de saúde. Excluindo Turquia e Argentina, que têm problemas gerados internamente e aparentam vulnerabilidade, as nações emergentes da Ásia parecem saudáveis, em sua maioria. Eu diria que a queda cessou, por ora."

Kathleen Gaffney, gestora de renda fixa da Eaton Vance Management, em Boston:* "Não acho que acabou. O mercado está preocupado com a recente desaceleração de Europa e Japão, com o ruído em torno de uma guerra comercial, além de distrações e risco político. O dólar seguirá forte enquanto o crescimento sincronizado for questionado e isso continuará prejudicando títulos de mercados emergentes."

Takahide Irimura, chefe de pesquisa econômica da Mitsubishi UFJ Kokusai Asset Management, em Tóquio* "O movimento de perdas nos mercados emergentes parece estar perdendo fôlego. A causa das perdas recentes foi a alta do dólar e dos rendimentos de longo prazo nos EUA, mas o avanço do rendimento parece ter estacionado por enquanto."* "Provavelmente o pior já passou para os mercados emergentes. Mesmo se a queda se repetir, sua magnitude será menor do que em maio."

Per Hammarlund, estrategista-chefe para mercados emergentes da SEB, em Estocolmo:* "Por ora, acho que o mercado se estabilizou. Como os títulos denominados em moeda forte sofreram as maiores perdas, acho que a virada será mais notável nesses papéis do que nos títulos denominados em moeda local."* "O risco de uma derrapada que alcance amplamente os emergentes é relativamente pequeno, embora as vulnerabilidades idiossincráticas tenham aumentado."

Dwyfor Evans, estrategista-chefe de macroeconomia para Ásia-Pacífico da State Street Global Markets, em Hong Kong:* "O ambiente externo deixou de oferecer suporte aos ativos de risco, devido a diversos fatores: viés em favor de ativos seguros, aumento da volatilidade e ameaças de fuga de capital. Por si só, rendimentos mais altos nos EUA são administráveis pelos mercados emergentes, mas rendimentos maiores e o dólar mais apreciado quase sempre indicam estresse nos ativos de países emergentes. A isso se soma a evidente redução das posições de risco com a intensificação dos riscos políticos. A Europa continua chamando atenção neste sentido."* "Turquia, Argentina e Indonésia tomaram medidas extraordinárias para defender seus mercados locais. Existem vulnerabilidades em outras partes e, ainda que o contágio seja administrável neste momento, as rachaduras e focos de estresse nos emergentes estão mais evidentes."

--Com a colaboração de Selcuk Gokoluk e Ben Bartenstein.

Repórteres da matéria original: Srinivasan Sivabalan em Londres, ssivabalan@bloomberg.net;Yumi Teso em Bangkok, yteso1@bloomberg.net;Lilian Karunungan em Singapore, lkarunungan@bloomberg.net

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