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Artista brilha na Feira de Basileia, anos após sua morte

Katya Kazakina

08/06/2018 12h38

(Bloomberg) -- Joan Mitchell está com tudo.

Cerca de um mês depois do sucesso estrondoso de US$ 16,6 milhões da falecida artista abstrata na Christie's, pelo menos nove de suas pinturas estimadas em mais de US$ 70 milhões irão para a Art Basel, a maior feira de arte moderna e contemporânea do mundo, que abrirá as portas na próxima semana na Suíça.

"É o momento de ela brilhar", disse Alberto Mugrabi, colecionador e negociante particular de obras de arte, que comprou um quadro de Mitchell da década de 1960 na Basileia em 2014. O preço foi de US$ 1,5 milhão. "Ela é uma artista fenomenal e as pessoas estão reconhecendo isso cada vez mais."

Mitchell, integrante do movimento expressionista abstrato, foi uma das poucas mulheres da Escola de Nova York do pós-guerra, que incluiu nomes como Jackson Pollock, Mark Rothko e Willem de Kooning. No entanto, os preços de suas obras foram eclipsados por esses artistas. O titã de hedge fund Ken Griffin pagou US$ 500 milhões em 2015 por dois quadros de De Kooning e Pollock. O recorde de leilão de Rothko é de US$ 86,9 milhões.

"À medida que o mundo da arte reavalia narrativas dominadas pelos homens, Mitchell está conquistando um reconhecimento mais profundo por sua habilidade, persistência e profundidade de visão ao longo de sua vida", disse Christa Blatchford, CEO da Fundação Joan Mitchell em Nova York.

Museus e colecionadores em todo o mundo estão procurando artistas que foram negligenciados e subvalorizados, e muitos são mulheres ou negros. O espólio de Mitchell migrou recentemente para a influente David Zwirner Gallery, o que animou o mercado de seus quadros.

Existem planos para uma grande pesquisa museológica sobre a obra de Mitchell em 2020, disse David Leiber, sócio da Zwirner. Será a primeira exposição desse tipo desde 2002. A galeria levará para Basileia uma pintura a óleo sem título de Mitchell de 1958 avaliada em US$ 7,5 milhões.

No leilão da Christie's em maio, o quadro de Mitchell "Blueberry", de 1969, havia sido estimado entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões. Ele atraiu pelo menos seis interessados, da Europa, da Ásia e dos EUA, e foi vendido pelo recorde de US$ 16,6 milhões com taxas. O quadro agora ocupa o terceiro lugar no ranking de artistas mulheres. Georgia O'Keeffe lidera com US$ 44,4 milhões pelo "Jimson Weed/White Flower No. 1", que foi comprado pelo Museu Crystal Bridges de Arte Americana, de Alice Walton. Uma aranha de bronze de 3 metros de altura de Louise Bourgeois foi vendida por US$ 28,2 milhões em 2015.

Nascida em Chicago em 1925, Mitchell foi uma ávida mergulhadora e patinadora em sua juventude.

"Ela abordou a pintura quase como um esporte competitivo", disse Leiber, observando a fisicalidade e a "escala heroica" da obra.

Ela foi profundamente influenciada por pintores europeus, especialmente Paul Cézanne e Vincent van Gogh, integrando a paleta e a luminosidade deles à musculatura da abstração da Escola de Nova York.

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