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Bancos do Uruguai ajudam tomadores de empréstimos corporativos

Ken Parks

08/06/2018 12h20

(Bloomberg) -- Uma iniciativa conjunta dos bancos para ajudar tomadores de empréstimos corporativos com problemas financeiros está rendendo frutos, considerando que houve uma estabilização do número de firmas com problemas e o fato de que a economia, de crescimento lento, está sendo poupada de falências potencialmente nocivas.

O chamado "clube bancário" de bancos do setor privado e o Banco de la República Oriental del Uruguai reestruturaram centenas de milhões de dólares em empréstimos devidos por mais de uma dúzia de grandes empresas nos últimos 18 meses, disse Jorge Polgar, presidente do conselho do maior banco do Uruguai, o estatal Banco República.

"A intenção é resgatar clientes, não empréstimos", disse Polgar, em entrevista, na faraônica sede do banco de 102 anos, no centro de Montevidéu. "São reestruturações coordenadas. Nem sempre fomos bem-sucedidos."

A economia do Uruguai, de US$ 59 bilhões, vem se recuperando gradualmente de uma quase recessão em 2015, e os economistas consultados pelo banco central acreditam em uma expansão de 3 por cento neste ano. Essa projeção, no entanto, talvez seja otimista demais, considerando o mercado de trabalho estagnado, a seca que diminuiu o rendimento das colheitas e a redução das perspectivas de crescimento dos principais parceiros comerciais do país, a Argentina e o Brasil.

Mercado consumidor

Os empréstimos ao consumidor impulsionarão a maior parte do crescimento com uma carteira de crédito que dificilmente se expandirá de modo significativo em 2018 devido à fraca demanda corporativa, disse Polgar, cujo banco detém 49 por cento dos depósitos e 37 por cento dos empréstimos do sistema bancário.

O Banco República está competindo diretamente com as empresas de financiamento ao consumidor compradas pelos bancos privados nos últimos anos para explorar a insaciável demanda das famílias uruguaias por crédito no momento em que a economia entra em seu 16º ano consecutivo de expansão.

Polgar aposta que o Banco República poderá ampliar sua participação de quase 50 por cento no mercado de crédito ao consumidor oferecendo empréstimos on-line com taxas de juros que representam um terço das cobradas pelas instituições financeiras não bancárias, que operam por meio de uma vasta rede de lojas físicas. O Banco República pretende explorar os 320.000 novos clientes -- a maioria sem conta bancária -- que somou desde 2015 graças a uma lei de inclusão financeira que exige que as empresas depositem as remunerações em contas-salário.

"Os clientes substituirão a dívida cara pela dívida do Banco República. Não estamos aumentando o crédito ao consumidor na economia", disse.

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