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Coreia do Norte oferece grande potencial de ganho e risco

Andy Sharp

(Bloomberg) -- A Coreia do Norte continua tratando a Suécia com frieza devido a uma fatura por 1.000 sedãs Volvo devolvidos nos anos 1970; uma mineradora chinesa chamou seu empreendimento de quatro anos nesse país isolado de "pesadelo"; e uma gigante das telecomunicações egípcia com negócios por lá não consegue repatriar seus lucros.

Tudo isso explica por que a Coreia do Norte ganhou a merecida reputação de cemitério corporativo para investidores estrangeiros. E isso levanta uma questão interessante em meio aos preparativos de Donald Trump e Kim Jong Un para a cúpula de 12 de junho, em Cingapura, em que há muito em jogo.

Trump oferece ajuda econômica e investimentos desde que Kim desista das armas nucleares. Mas se a Coreia do Norte abrisse sua economia, algum CEO, em seu perfeito juízo, estaria disposto a depositar uma soma elevada em uma fracassada economia centralizada, mais conhecida pela escassez de alimentos, pelo atraso industrial e pela infraestrutura totalmente inadequada?

Otimistas como Jim Rogers, investidor em Cingapura, preveem uma grande reviravolta baseada em grande parte na enorme magnitude das necessidades de desenvolvimento de infraestrutura do país, na força de trabalho altamente disciplinada e na proximidade com grandes mercados como Coreia do Sul, China e Rússia.

"A Coreia do Norte está agora onde estava a China nos anos 1980", disse o presidente do conselho da Rogers Holdings, por telefone. "Será o país mais empolgante do mundo nos próximos 20 anos. Tudo na Coreia do Norte é uma oportunidade."

O obstáculo não é Kim, mas Trump, segundo Rogers, que atualmente não mantém nenhum investimento na Coreia do Norte. Kim foi criado na Suíça e "sabe que existe um mundo diferente lá fora e o povo dele também sabe disso", disse Rogers, acrescentando que a imprevisibilidade de Trump é a verdadeira incógnita.

Além da força de trabalho disciplinada e relativamente barata, a Coreia do Norte também conta com uma vasta reserva mineral, cujo valor poderia chegar a US$ 6 trilhões, segundo estimativa de 2013 do Instituto de Recursos da Coreia do Norte, em Seul. Essas reservas são zona proibida para as maiores mineradoras do mundo devido às sanções.

Andrei Lankov, diretor da Korea Risk Group, que fornece informações e análises sobre a Coreia do Norte a clientes, disse que o regime de Kim não buscará investimentos estrangeiros, tanto por razões ideológicas quanto por razões práticas.

"A Coreia do Norte tem a capacidade de atrair investimentos estrangeiros, mas não permitirá controle estrangeiro -- quando virem empresas estrangeiras se tornando lucrativas demais, as autoridades simplesmente tomarão uma fatia maior", disse Lankov. "Uma abertura representaria um suicídio para o regime, porque traria uma enxurrada de informações de fora e poderia reduzir seu controle político."

As entradas líquidas de investimento estrangeiro direto na Coreia do Norte continuam minúsculas. Dados do Banco Mundial mostram que em 2016 foram investidos apenas US$ 93 milhões no país; em comparação, a cifra da Coreia do Sul foi de US$ 12 bilhões.

--Com a colaboração de Sohee Kim e Daniele Lepido.

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