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Enorme superávit comercial da China diminui, mas não com EUA

Bloomberg News

(Bloomberg) -- O enorme superávit comercial da China com o mundo encolheu em maio. Infelizmente para a tensão atual com o presidente Donald Trump, o superávit com os EUA não encolheu.

O superávit comercial com os EUA subiu para US$ 24,6 bilhões, representando quase a totalidade do saldo da balança comercial do país asiático, de US$ 24,9 bilhões. No geral, as exportações aumentaram 12,6 por cento em maio em relação ao ano anterior e as importações subiram 26 por cento, em parte devido aos preços mais elevados do petróleo e de outras commodities. Os carregamentos para os EUA cresceram 11,6 por cento, maior aumento desde fevereiro.

Apesar de o acordo que permitiu a retomada dos negócios pelo grupo ZTE eliminar um ponto de discórdia na relação EUA-China, a principal preocupação de Trump é reduzir o persistente déficit comercial de seu país. Ele ameaça aplicar tarifas a pelo menos US$ 50 bilhões em importações chinesas logo após a publicação de uma lista final de metas, em 15 de junho. A expansão de mais de US$ 2 bilhões do déficit de seu país com a China de abril para maio não melhora a situação.

"A visão de que existe uma forte dependência em relação ao mercado dos EUA para geração de superávit será um fator negativo para o contexto das negociações comerciais que estão em andamento e poderia endurecer a postura dos EUA e, portanto, reduzir a probabilidade de acordo", disse Dariusz Kowalczyk, estrategista sênior para mercados emergentes do Crédit Agricole em Hong Kong.

Os dados dos EUA mostram que o déficit do comércio de bens com a China atingiu um total recorde de US$ 375 bilhões no ano passado. Se incluído o setor de serviços, no qual os EUA mantêm um superávit em relação ao país asiático, o déficit total foi menor.

O superávit comercial de US$ 105 bilhões da China com os EUA nos cinco primeiros meses do ano foi ainda maior que seu superávit comercial total, disse Larry Hu, economista da Macquarie Securities em Hong Kong. "O elevado superávit comercial da China com os EUA se deve, em parte, à sua posição na cadeia de abastecimento global, considerando que os déficits comerciais do país com Japão, Coreia e Taiwan chegaram a US$ 102 bilhões no período."

A força das exportações em maio pode até ter sido impulsionada em parte pelas tensões comerciais, porque as empresas fazem encomendas enquanto ainda podem.

"Os números particularmente fortes de maio se devem às incertezas das negociações comerciais", disse Iris Pang, economista do ING Groep em Hong Kong, a única que previu com precisão o crescimento das importações em maio em pesquisa da Bloomberg. "Os riscos das exportações estão aumentando, por isso os exportadores aceleraram a importação de componentes para reexportar."

--Com a colaboração de Kevin Hamlin.

To contact Bloomberg News staff for this story: Miao Han em Pequim, mhan22@bloomberg.net

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