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Amazon é criticada por condições de trabalho em fábrica na China

Spencer Soper

11/06/2018 13h46

(Bloomberg) -- Um órgão de fiscalização pede que a Amazon.com melhore as condições de trabalho de uma fábrica na China que produz alto-falantes Echo e leitores eletrônicos Kindle, renovando as críticas de que o CEO Jeff Bezos chegou ao posto de homem mais rico do mundo nos ombros de trabalhadores mal pagos.

O China Labour Watch, com sede em Nova York, divulgou relatório no fim de semana após nove meses de investigação sobre as condições de trabalho de uma fábrica da cidade de Hengyang de propriedade da Hon Hai Precision Industry, empresa conhecida como Foxconn, que fabrica produtos para a Amazon. O relatório é a primeira oportunidade de conhecer os bastidores da produção dos alto-falantes ativados por voz da Amazon, que custam apenas US$ 40.

O relatório, que mostra um panorama de salários baixos e condições de trabalho intensas, inclui as seguintes conclusões:

- Os trabalhadores eram obrigados a fazer mais de 100 horas extras por mês, o que viola a lei trabalhista chinesa, que limita as horas extras a 36 por mês.

- A fábrica usa mais trabalhadores temporários do que os permitidos pela lei chinesa.

- Os funcionários não receberam treinamento de segurança adequado.

- Os trabalhadores são obrigados a chegar às estações de trabalho 10 minutos antes do início da jornada e não recebem nada por esse tempo.

- Os dormitórios dos funcionários não contam com medidas de segurança adequadas contra incêndios, como extintores.

"Todos os trabalhadores estão sujeitos a jornadas longas e salários baixos", afirmou o relatório. "Como os salários são baixos, os trabalhadores dependem das horas extras para ganhar o suficiente para manter um padrão de vida decente."

A Amazon concluiu uma auditoria na fábrica em março e encontrou violações relacionadas às horas extras e ao uso de trabalhadores temporários e pediu à Foxconn que fossem remediadas, informou a empresa em comunicado enviado por e-mail. Nesta segunda-feira, a Foxconn informou, em comunicado ao mercado, que iniciou sua própria investigação interna e que corrigirá todas as ilegalidades que descobrir. As ações da Hon Hai chegaram a cair 1,4 por cento em Taipé.

"Solicitamos imediatamente um plano de ação corretiva da Foxconn Hengyang que detalhasse o caminho para remediar os problemas identificados e estamos realizando avaliações regulares para monitorar a implementação e o cumprimento do nosso Código de Conduta do Fornecedor", afirmou a Amazon. "Estamos empenhados em garantir a resolução desses problemas."

Os reajustes salariais são realizados com regularidade e todos os funcionários de tempo integral e temporários recebem "treinamento pré-contratação e treinamento adicional em seus departamentos designados", afirmou a Foxconn, em comunicado de 10 de junho. A maior fabricante de eletrônicos e empregadora da China já foi criticada pelas más condições de trabalho nas fábricas em que produz aparelhos da Apple, que levaram a empresa a instalar redes de segurança para evitar o suicídio dos trabalhadores. As descobertas na fábrica de aparelhos da Amazon foram semelhantes, mas menos severas.

--Com a colaboração de Debby Wu.

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