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Excesso de sublocações em Wall Street preocupa proprietários

David M. Levitt

11/06/2018 13h29

(Bloomberg) -- Quando o império de imprensa de Murdoch desistiu de se mudar do centro de Manhattan para o World Trade Center, dois anos atrás, o incorporador imobiliário Larry Silverstein se mostrou confiante. "Não se enganem", disse ele. "O impulso do centro é palpável e imparável."

Em breve se verá.

À medida que as empresas percebem que precisam de menos espaço de escritório do que alugaram, elas estão oferecendo mais de 55.750 metros quadrados para sublocar no centro, concorrendo com os proprietários dos imóveis que elas mesmas alugam e ameaçando baratear os aluguéis.

"O espaço para sublocação normalmente é precificado com desconto em relação ao espaço oferecido diretamente" pelos proprietários, disse Craig Caggiano, diretor executivo da Colliers International Group para a região metropolitana de Nova York. "Se um espaço para sublocação permanecer no mercado ou se ainda mais espaço para sublocação chegar ao mercado, isso poderia exercer pressão para derrubar os preços."

Mudanças

Quando Silverstein declarou que o centro era imparável, a Condé Nast tinha se mudado para o 1 World Trade Center, e corretores da CBRE Group, que representou as empresas de Murdoch em negociações com ele, acabavam de anunciar que sua mudança confirmaria que o sul de Manhattan era uma meca para inquilinos da imprensa. Agora, a Condé Nast está abrindo mão de 34.900 de seus mais de 92.900 metros quadrados no 1 World Trade.

Além disso, a Liberty Mutual Insurance está procurando ocupantes para 12.000 metros quadrados no número 55 da rua Water, um colosso de 325.200 metros quadrados às margens do rio East, e a Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey está vendendo dois andares em sua sede no 4 World Trade Center de Silverstein. O porta-voz da Autoridade Portuária, Steve Coleman, disse que as autoridades "identificaram eficiências de espaço na torre e estão tirando proveito disso".

Ao todo, as sublocações no centro representaram 2,3 por cento dos 9,75 milhões de metros quadrados do mercado no fim de maio, segundo Franklin Wallach, diretor administrativo da Colliers para dados sobre imóveis comerciais na área metropolitana de Nova York. Com exceção do 2,4 por cento de abril, este é o nível mais alto desde 2010, quando a economia da cidade, turbinada pelas finanças, estava tendo dificuldades para se recuperar da crise de 2008.

E mais oferta está chegando. Silverstein inaugura hoje o 3 World Trade Center, um arranha-céu de 232.000 metros quadrados que estreará com cerca de 40 por cento de seu espaço alugado, e depois o 2 World Trade Center, que deve acrescentar 260.000 metros quadrados ao mercado quando ficar pronto.

Isso vai complicar a vida dos proprietários, sendo que a média de aluguéis de escritórios em Manhattan foi de pouco mais de US$ 796 por metro quadrado no fim de maio, somente meio por cento a mais do que um ano atrás. O gasto dos proprietários em períodos sem aluguel, o acabamento dos espaços e coisas do tipo para atrair e conservar inquilinos já está perto de um pico pós-recessão, o que aumenta o custo de preencher os escritórios.

O auge das sublocações dará a mais empresas uma chance de entrar no mercado de escritórios do centro por um preço que faz sentido para elas, disse Jeremy Moss, vice-presidente executivo de leasing da Silverstein Properties. "Em todo caso, esta é uma grande oportunidade para um inquilino", disse ele.

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