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Standard Chartered não consegue eliminar assédio e má conduta

Stephen Morris, Gavin Finch e Ambereen Choudhury

11/06/2018 13h21

(Bloomberg) -- Altos executivos encarregados de mudar o comportamento dos 86.000 funcionários do Standard Chartered foram alvos de medidas disciplinares ou investigados após acusações de assédio ou conduta inadequada, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

No último ano, o responsável por combater propinas e corrupção deixou o banco londrino, após a apuração de alegações de que ele havia alterado a avaliação da performance de uma subordinada com quem tinha um caso amoroso, revelaram as fontes. Já o diretor global de compliance saiu após uma investigação concluir que o comportamento e vocabulário que ele usava com colegas era impróprio, segundo um memorando distribuído internamente na quinta-feira passada.

Desde que assumiu a presidência da casa, em 2015, Bill Winters tem enfrentado dificuldades para sanar a cultura de um banco que é supervisionado nos EUA após violar sanções contra o Irã. Ele repetidas vezes criticou gestores por desprezar normas éticas e agirem como se estivessem "acima da lei".

"Continuamos encontrando incidentes dentro da nossa organização que não estão de acordo com os padrões definidos pelos próprios comportamentos que valorizamos", escreveu Winters em um memorando em abril ao qual a Bloomberg News teve acesso. "Os exemplos vão desde gestores criando um ambiente desconfortável para colegas a incidentes de assédio e discriminação. Nada disso é aceitável."

Cultura tóxica

O retrato que surge a partir de entrevistas com quase uma dezena de funcionários e ex-funcionários ? que pediram anonimato para discutirem questões pessoais ? é o de um banco tomado por uma cultura de trabalho tóxica que Winters e seu conselho de diretores até agora não conseguiram consertar. Os problemas vão além da área de compliance e atingem muitas divisões e regiões, segundo as fontes. Winters subestimou o tamanho do desafio quando prometeu acabar com o mau comportamento, disse uma pessoa a par das discussões dentro do conselho.

Winters não quis comentar, disse um porta-voz. A diretora de recursos humanos, Pam Walkden, afirmou em email que a "cultura é forte e a conduta de nossos colegas é boa, com pouquíssimas exceções". "Quando identificamos que nossos rigorosos padrões não são cumpridos, o que é inevitável em qualquer organização grande, nós investigamos de modo completo e justo e tomamos medidas apropriadas. Isso fica evidente nas medidas recentes que tomamos".

Segundo uma fonte, a área de compliance do Standard Chartered emprega cerca de 3.000 pessoas, cujas atribuições incluem até o combate a crimes financeiros nos 60 mercados em que o banco atua, de Macau à Colômbia.

A área de private banking do Standard Chartered, responsável pela gestão de grandes fortunas, também se envolveu em acusações de má conduta. Pelo menos três mulheres pediram transferência para outras áreas após relatarem abuso verbal, comentários racistas e bullying.

Noitadas no karaokê

O banco também investigou fraudes nas despesas contabilizadas por funcionários das áreas de private banking e banco de investimento na Ásia, África e Oriente Médio.

Em Hong Kong, empregados gastaram dezenas de milhares de dólares no cartão de crédito corporativo com presentes e diversão ? de bolsas Louis Vuitton a noitadas em karaokês. Essas despesas foram aprovadas por gestores sêniores, mesmo sem recibo ou justificativa cabível de uso com clientes.

Um dos casos mais chocantes foi de uma assistente pessoal com salário anual inferior a US$ 50.000 que, em dois anos, acumulou mais de US$ 380.000 em despesas e usava o computador de seu superior para aprovar empréstimos pessoais. Ela foi pega e demitida. O chefe recebeu uma advertência.

Os próprios esforços do Standard Chartered para combater episódios de má conduta provocaram queixas. O conselheiro-geral David Fein montou uma equipe formada por ex-espiões, detetives do FBI, autoridades reguladoras e profissionais de compliance para pegar quem violasse as regras contra assédio, interesses externos, relações financeiras próximas com colegas e gastos excessivos. Integrantes da equipe passaram dos limites em pelo menos três casos, enganando testemunhas e registrando entrevistas de maneira imprópria, segundo pessoas envolvidas.

Repórteres da matéria original: Stephen Morris em London, smorris39@bloomberg.net;Gavin Finch em Londres, gfinch@bloomberg.net;Ambereen Choudhury em Londres, achoudhury@bloomberg.net

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