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Startups de patinetes elétricos resolveram problema do Segway

Brad Stone

(Bloomberg) -- Há 17 anos o inventor Dean Kamen deslizou com seu Segway até o set do programa de TV Good Morning America e entrou para os anais da infâmia empresarial. O lendário capitalista de risco John Doerr e o fundador da Amazon.com, Jeff Bezos, ficaram entusiasmados na época com a oportunidade de mercado para o veículo elétrico de duas rodas. Doerr previu que o Segway atingiria US$ 1 bilhão em vendas mais rapidamente que qualquer outra empresa na história.

Ele estava notoriamente errado. Com um preço original de US$ 5.000 para cobrir todos aqueles caros motores e eixos cardã (porque os humanos são bastante hábeis em termos de equilíbrio), o Segway não foi além dos seguranças de shopping, das empresas de turismo e das piadas. Mas será que a Kamen and Co. estava simplesmente à frente de seu tempo no tocante ao transporte pessoal sobre duas rodas e seu potencial para aliviar o tráfego e recriar cidades?

Essa é uma possibilidade que estou considerando ao ver a corrida precipitada dos investidores do Vale do Silício rumo ao novo campo das empresas de patinetes elétricos. Nós noticiamos na semana passada que a Lime, com sede em San Mateo, Califórnia, levantou US$ 250 milhões com um grupo liderado pela GV, da Alphabet, a uma avaliação de US$ 1 bilhão. A Bird Rides, uma rival com sede em Santa Monica, está levantando US$ 150 milhões em uma rodada liderada pela Sequoia Capital com uma avaliação semelhante. Esses unicórnios não existiam 18 meses atrás.

Enquanto isso, tanto a Uber Technologies quanto a Lyft se candidataram a lançar patinetes elétricos em São Francisco, onde o governo local deverá autorizar um programa-piloto após eliminar temporariamente os patinetes da cidade, no mês passado.

Há muito a questionar no que Kevin Roose, do New York Times, carinhosamente chamou de "arrogância tecnológica sobre rodas". Em geral, os pilotos não usam capacetes, o que é preocupante, e a maioria das cidades teme que os patinetes elétricos entulhem as calçadas esperando que os usuários os desbloqueiem com seus smartphones.

Deixando esses problemas de lado por enquanto, imaginei a economia que está atraindo investidores experientes para a briga dos patinetes elétricos. Por que esses veículos, de forma repentina e inexplicável, se tornaram a aposta do momento? Conversei com alguns investidores do setor para ter uma ideia da matemática.

O desbloqueio dos patinetes da Bird e da Lime custa US$ 1 e, depois, é preciso pagar mais US$ 0,15 por minuto para dirigi-lo. Para simplificar, vamos supor que a extensão de uma viagem média é de uma milha (1,6 quilômetro) e que o patinete trafega a 10 milhas por hora (16 km/h). Uma viagem dura em média seis minutos e (arredondando para cima!), rende US$ 2 para a empresa. Calculemos que cada patinete faz em torno de cinco viagens por dia antes de ficar sem combustível e ter de esperar, tristemente, que o coletor, contratado no esquema da economia de bicos, o recupere e o recarregue à noite. Nosso patinete, assim, arrecadou US$ 10 por dia para a empresa.

Ignorando bônus e incentivos iniciais, esses trabalhadores contratados parecem receber US$ 5 por patinete recarregado. Portanto, nosso patinete agora gera US$ 5 por dia. Se assumirmos que o custo de compra de um patinete é de US$ 300 e que é preciso gastar mais US$ 50 para equipá-lo com GPS e recursos de segurança, o patinete se pagou em pouco mais de dois meses.

Os preços no atacado cairão com o tempo; por outro lado, aqueles que hostilizam os patinetes na Baía de São Francisco pedem a cobrança de taxas por manutenção e veículos. Ainda assim, esse súbito e estranho mercado parece bastante atraente aos olhos de um capitalista de risco. Pessoas de cidades como Santa Monica, Denver e Nashville aderiram à praticidade dos patinetes de duas rodas com a mesma animação que alguma vez mostraram pelos serviços de transporte compartilhado. Se puder implementar 10.000 patinetes em uma cidade, segundo nossos cálculos, você terá um negócio que gera facilmente US$ 100.000 por dia em receita, US$ 3 milhões por mês ou US$ 40 milhões por ano -- por cidade!

Isso quer dizer que um setor nascente e muito fácil de ridicularizar pode estar gerando US$ 500 milhões em receita em um piscar de olhos. Há desafios regulatórios, claro, porque muitas cidades apertaram o botão de pausa enquanto elaboram novas regras para o trânsito. Mas é por essa razão que tantos executivos e investidores veteranos das guerras da Uber e da Lyft se sentem atraídos por esse ramo. Eles creem que já viram esse filme.

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