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Fornecedores da Apple estão mais vulneráveis: Bloomberg Opinion

Alex Webb

12/06/2018 18h36

(Bloomberg) -- Para um fornecedor de peças para o iPhone, existem duas maneiras de diminuir o risco de ser dispensado pela Apple: criar um componente difícil de copiar ou encontrar novos clientes.

A Dialog Semiconductor, que recebe 77 por cento da receita da fabricante do iPhone, parece ter optado pela segunda alternativa. A companhia vem discutindo uma associação com a Synaptics, fabricante de sensores de impressão digital e tecnologia de touch screen que depende muito menos da demanda da Apple.

O acordo reflete um esforço significativo para depender menos da gigante sediada em Cupertino, na Califórnia, mas só ressalta a posição fraca da Dialog. À medida que a Apple tenta fazer mais design de semicondutores internamente, empresas de chips de silício que contratam empresas como a Taiwan Semiconductor Manufacturing para de fato fabricarem os produtos ficam bem mais vulneráveis do que companhias com especialização em nichos.

As ações da Dialog desabaram depois que circulou a notícia, em novembro, de que a Apple estava preparando componentes equivalentes internamente. No mês passado, a Dialog reduziu a projeção para as vendas de chips de gestão de energia em 2018, alegando que a demanda vinda da Apple está diminuindo mais rápido do que o esperado.

A Synaptics também foi prejudicada depois que a Apple decidiu não usar um scanner de impressão digital sob a tela no próximo iPhone, optando por sensores 3D que desbloqueiam o aparelho escaneando o rosto do usuário.

A oportunidade mais promissora para a Synaptics aparentemente são companhias chinesas que usam os scanners em aparelhos mais baratos. Esses acordos não serão tão lucrativos quanto o fornecimento para a Apple, mas diluem o risco associado à perda de um cliente.

Para a fusão funcionar, é provável que a Dialog precise fazer uma oferta mais atraente. Segundo o canal de TV CNBC, a Synaptics recusou a oferta que a Dialog fez em março, de US$ 59 em dinheiro por ação. Mesmo uma transação por esse valor elevaria a dívida líquida da Dialog para mais de quatro vezes o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) estimado para 2019 ? seria uma taxa de endividamento significativamente maior do que a de seus pares, de acordo com dados da Bloomberg.

Vale a pena fazer uma comparação com a estratégia da fabricante austríaca de chips AMS, que tem a maior taxa de endividamento entre os pares da Dialog. Nos últimos três anos, a companhia usou essa alavancagem para comprar diversas empresas com expertise em sensores 3-D.

Essa tática está compensando. A receita deste ano deve ser quase o triplo da apurada em 2016. Em vez de se expandir em tecnologias focadas em silício, a AMS preferiu materiais como vidro e arsenieto de gálio, se protegendo mais da possibilidade de a Apple fazer produtos similares.

Em vez de adquirir conhecimento sobre design e materiais difíceis de copiar, a Dialog parece tentar diminuir sua exposição à Apple sem usar a imaginação. A Dialog poderia lidar com o endividamento adicional, mas sua disposição de usar isso em um único acordo só mostra o quanto sua situação é ruim.

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